Política

“Governo aproveita a boleia do PS para fazer discurso extremista elogiado pelo Chega”

20 de outubro 2024 - 18:56

Mariana Mortágua crítica Orçamento do Estado 2025 por piorar as condições dos trabalhadores em Portugal e Partido Socialista por "dar boleia" às políticas da direita.

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Mariana Mortágua
Mariana Mortágua no encerramento da Conferência Zuraida Soares. Fotografia de Eduardo Costa/LUSA

A coordenadora do Bloco de Esquerda esteve presente este fim-de-semana na conferência Zuraida Soares, em São Miguel, onde participou na sessão de encerramento. Falando aos militantes do Bloco de Esquerda presentes na conferência, Mariana Mortágua criticou o Orçamento do Estado para 2025 por não mudar nada para o melhor, mas também o Partido Socialistas por viabilizar o Orçamento do Estado.

“Na habitação, na saúde, nos serviços públicos, na distribuição de riqueza, Portugal fica melhor ou fica pior com este Orçamento? Cada pessoa que trabalha ou vive da sua reforma fica melhor ou fica pior?”, questionou a dirigente bloquista.

Sobre habitação, Mariana Mortágua frisou que “não há nada neste Orçamento que baixe o preço das casas” e que os benefícios fiscais que o governo apresentou para os mais jovens agravaram a crise de habitação. “Os preços vão continuar a subir, e é o governo que o diz no Orçamento do Estado. Diz que quer atenuar o aumento dos preços”, frisou a coordenadora do Bloco de Esquerda, que acusa o governo de dar prioridade ao alojamento local e à venda de património público.

Na saúde, o Orçamento do Estado “cumpre um plano”. “E é um plano que foi dito por Luís Montenegro e pela ministra da Saúde: querem esgotar as capacidades do Serviço Nacional de Saúde e a partir daí chamar o setor privado e o setor social para lhes entregar o Serviço Nacional de Saúde”, disse. Entre as medidas do governo para facilitar essa entrega, Mariana Mortágua sublinhou os “benefícios fiscais para as empresas que dão seguros privados de saúde e transferências de recursos do Serviço Nacional de Saúde para o privado”.

A dirigente bloquista afirmou que o governo de Luís Montenegro “tem um plano ideológico para o país e sabe o que está a fazer”. Um plano que tem dois resultados: “concentrar riqueza” para que poucos ganhem com o que todos produzem e “distribuir negócio” para os privados em todos os setores do Estado.

Com estes dois resultados em mente, Mariana Mortágua afirmou que este governo “é um projeto da direita radicalizada”e que “aproveita a boleia do Partido Socialista para fazer um discurso extremista elogiado pelo Chega”.

Orçamento dos Açores

Também António Lima, dirigente do Bloco de Esquerda Açores, discursou no encerramento da conferência para lembrar e criticar a privatização da SATA e o trabalho do governo regional sobre o Orçamento da Região.

António Lima
Fotografia de João Cordeiro

“Nada de bom se espera deste Orçamento”, disse António Lima, criticando o apoio que a extrema-direita tem dado ao governo da região. “Já não é o primeiro, nem o segundo da coligação e espera-se apenas mais do mesmo com o apoio do Chega”.

O dirigente bloquista afirmou que a esquerda deve estar empenhada na construção de uma alternativa à política da direita. “A esquerda não pode servir para apoiar a política da direita”, afirmou, frisando que o Bloco de Esquerda tem trabalhado sobre o tema da habitação nos Açores.

Sobre o “buraco” no Orçamento da Região, de cerca de €150 milhões, que o governo regional tem reclamado ao governo central, António Lima disse que se “lembraram tarde”, porque tinha concordado até aqui com a lei de financiamento das regiões autónomas, mas que o Bloco defende o aumento do Orçamento para a região, “porque isso é a forma de garantir que temos dinheiro para investir na habitação, nos serviços públicos, nas creches”.