Ex-chefe da Frontex é candidato da extrema-direita às europeias

19 de fevereiro 2024 - 10:16

Durante os sete anos do seu mandato à frente da agência de controlo de fronteiras, Fabrice Leggeri foi acusado pelas ONG de proteger a prática dos reenvios forçados de migrantes no Mediterrâneo. Agora está nas listas do partido de Marine Le Pen.

PARTILHAR
Fabrice Leggeri
Fabrice Leggeri no Parlamento europeu em 2021. Foto Philippe Buissin/Parlamento Europeu

Fabrice Leggeri, o ex-responsável pela agência europeia de controlo de fronteiras, a Frontex, de onde se demitiu em 2022 na sequência do escândalo sobre o reenvio forçado de migrantes no Mediterrâneo, será candidato às eleições europeias de junho nas listas do Rassemblement National (RN), o partido da extrema-direita de Marine Le Pen, hoje liderado por Jordan Bardella.

"O RN tem um plano concreto e a capacidade de o implementar. Estamos determinados a combater a inundação migratória, que a Comissão Europeia e os eurocratas não veem como um problema, mas sim como um projeto: posso testemunhá-lo", afirmou Leggeri ao Journal du Dimanche, acrescentando que a decisão de se juntar à extrema-direita "é muito coerente" com o seu percurso na liderança do Frontex durante sete anos e dos cargos públicos que ocupou ao longo de 30 anos na área da segurança e gestão da imigração.

Na rede social X, o líder do RN diz que Leggeri foi obrigado a demitir-se e abandonado por Macron "porque agia contra a submersão da Europa". Mas o mesmo Bardella dizia em 2019 que o Frontex liderado por Leggeri era "uma hospedeira de migrantes [...] que financia acampamentos humanitários".

Acusado de má gestão, desrespeito pelas regras de procedimento de deslealdade face à União Europeia num inquérito disciplinar instaurado pelo Gabinete Europeu de Luta Anti-Fraude (OLAF) e que ajudou à sua demissão há dois anos, Leggeri responde agora que nem o Parlamento Europeu nem a administração da Frontex encontraram provas concretas para sustentar as acusações. Agora em campanha pela extrema-direita, acusa a França, Alemanha e a Comissão Europeia de o terem afastado porque queria "controlar a imigração".

A prática dos reenvios forçados de requerentes de asilo de águas gregas para turcos era sistemática, com quase mil casos confirmados entre março de 2020 e setembro de 2021. E o relatório do OLAF mostrou como a agência encobria os "pushbacks" ilegais de migrantes e refugiados feitos no mar Egeu pelas autoridades gregas.