Fabrice Leggeri, o ex-responsável pela agência europeia de controlo de fronteiras, a Frontex, de onde se demitiu em 2022 na sequência do escândalo sobre o reenvio forçado de migrantes no Mediterrâneo, será candidato às eleições europeias de junho nas listas do Rassemblement National (RN), o partido da extrema-direita de Marine Le Pen, hoje liderado por Jordan Bardella.
"O RN tem um plano concreto e a capacidade de o implementar. Estamos determinados a combater a inundação migratória, que a Comissão Europeia e os eurocratas não veem como um problema, mas sim como um projeto: posso testemunhá-lo", afirmou Leggeri ao Journal du Dimanche, acrescentando que a decisão de se juntar à extrema-direita "é muito coerente" com o seu percurso na liderança do Frontex durante sete anos e dos cargos públicos que ocupou ao longo de 30 anos na área da segurança e gestão da imigração.
Na rede social X, o líder do RN diz que Leggeri foi obrigado a demitir-se e abandonado por Macron "porque agia contra a submersão da Europa". Mas o mesmo Bardella dizia em 2019 que o Frontex liderado por Leggeri era "uma hospedeira de migrantes [...] que financia acampamentos humanitários".
Acusado de má gestão, desrespeito pelas regras de procedimento de deslealdade face à União Europeia num inquérito disciplinar instaurado pelo Gabinete Europeu de Luta Anti-Fraude (OLAF) e que ajudou à sua demissão há dois anos, Leggeri responde agora que nem o Parlamento Europeu nem a administração da Frontex encontraram provas concretas para sustentar as acusações. Agora em campanha pela extrema-direita, acusa a França, Alemanha e a Comissão Europeia de o terem afastado porque queria "controlar a imigração".
A prática dos reenvios forçados de requerentes de asilo de águas gregas para turcos era sistemática, com quase mil casos confirmados entre março de 2020 e setembro de 2021. E o relatório do OLAF mostrou como a agência encobria os "pushbacks" ilegais de migrantes e refugiados feitos no mar Egeu pelas autoridades gregas.