Mais de duas dezenas de inspetores da Polícia Judiciária estão esta sexta-feira a fazer buscas na sede da Carris e nos domicílios de responsáveis desta empresa e da MNTC, a empresa externa contratada para fazer a manutenção do Elevador da Glória.
O descarrilamento do Elevador da Glória no início de setembro provocou a morte de 16 pessoas e fez 24 feridos. Ainda não são conhecidos os resultados da auditoria externa e do inquérito interno da Carris. A informação pública disponível é a do relatório preliminar do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários, divulgada semanas depois da tragédia, e que apontava que o cabo de tração entre as cabinas do ascensor não estava certificado para ser usado em instalações para o transporte de pessoas nem era alvo de manutenção e fiscalização adequadas.
Segurança
Cabo não certificado e falsas tarefas de manutenção: o que diz o relatório ao acidente do Elevador da Glória
Em comunicado, a concelhia do Bloco de Esquerda de Lisboa diz acompanhar “com profunda preocupação as notícias sobre as buscas” desta sexta-feira, por confirmarem “a gravidade dos indícios que têm vindo a ser conhecidos ao longo dos últimos meses” e que põem em dúvida “ fiabilidade da informação disponibilizada pela Carris e sobre os mecanismos de controlo existentes”.
O Bloco/Lisboa critica o presidente da Câmara “por defender até ao limite o então presidente do Conselho de Administração da Carris” e por só cumprir decisões de Câmara, “designadamente no que respeita ao apoio às vítimas, na sequência da insistência da oposição e da pressão pública resultante da denúncia na comunicação social.
“Esta atuação é incompatível com a responsabilidade política exigida perante a maior tragédia registada na cidade nas últimas décadas”, prossegue o Bloco/Lisboa, denunciando a “opacidade total” sobre os trabalhos da auditoria externa e interna à Carris.