Vêm aí mais recordes de temperatura, avisa OMM

28 de maio 2026 - 16:21

Relatório da Organização Meteorológica Mundial analisou os dados climáticos dos últimos cinco anos para prever os próximos cinco. Há 86% de hipóteses de até 2030 assistirmos ao ano mais quente desde que há registos.

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terra seca
Imagem Pixabay.

A média da temperatura anual junto ao solo entre 2026 e 2030 ficará entre 1.3ºC e 1.9ºC acima da média dos anos entre 1850 e 1900, diz o relatório anual da Organização Meteorológica Mundial (OMM) que atualiza as previsões da década.  E é quase certo (com 95% de probabilidade) que pelo menos num dos próximos anos essa média seja ultrapassada em 1.5ºC, tal como aconteceu em 2024, o ano mais quente desde que há registo.

Com 86% de probabilidade, um dos anos até 2030 vai bater esse recorde de 2024 no que diz respeito à temperatura média. Com 2026 e os próximos anos a reunirem as condições do fenómeno climático El Niño, que contribui para o aumento da temperatura média global, o autor principal do relatório, Leon Hermanson, prevê grandes hipóteses de ser 2027 a bater o recorde da temperatura média.

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A meta de limitar o aumento de temperatura de 1.5ºC em relação aos valores pré-industriais era um dos objetivos do Acordo de Paris, hoje praticamente afastado pelos cientistas. O objetivo “realista” é agora de 2ºC de aumento, o que implica medidas de adaptação e mitigação muito ambiciosas e não evitará o aumento das catástrofes climáticas em vários pontos do globo.

Outras conclusões deste relatório é que as temperaturas do Ártico nos próximos cinco invernos ficarão em média 2.8ºC acima da média entre 1991 e 2020, uma variação que é o triplo da que se regista na temperatura média global.

As previsões de precipitação apontam para condições mais húmidas do que a média nas altas latitudes do hemisfério norte durante os próximos cinco invernos. Também dão conta de condições de chuva no verão em regiões como o Sahel, Europa do Norte, Alasca e Sibéria.

“A última onda de calor na Europa é um lembrete brutal dos impactos crescentes da crise climática, tanto a nível humano como económico. Muitas outras partes do mundo também estão a ser duramente atingidas, como a Índia e outras regiões da Ásia”, afirmou ao Guardian Simon Stiell, responsável pela área do clima da ONU.