Crimes de guerra

ONU inclui Israel na lista de agressores sexuais em zonas de conflito

28 de maio 2026 - 11:59

Decisão segue-se à recusa israelita de investigar os repetidos casos de agressões sexuais contra palestinianos por parte dos militares, guardas prisionais e colonos. Ministro da Defesa diz que a limpeza étnica de Gaza vai continuar.

PARTILHAR
Netanyahu em visita aos militares da Divisão dos Hasmoneus
Netanyahu em visita aos militares da Divisão dos Hasmoneus. Foto PM Israel

Dois anos depois de ser incluído na “lista negra” da ONU dos países que cometem abusos contra crianças em zonas de conflito armado, após o massacre de milhares de crianças em Gaza, Israel foi agora colocado noutra “lista negra” das Nações Unidas: a dos países que cometem agressões sexuais em zonas de conflito.

A notícia do diário Haaretz foi confirmada pelo embaixador israelita na ONU, Danny Danon, que fala em “calúnia” para atacar a decisão de pôr o seu país na mesma lista onde figuram o Estado Islâmico e, desde agosto, o Hamas. Foi nessa altura que António Guterres avisou Israel de que podia vir a juntar-se à lista caso não tomasse medidas como a libertação dos palestinianos detidos de forma arbitrária, a investigação das queixas de violência sexual por parte dos presos, o tratamento humano dos detidos e medidas de prevenção, como o acesso das organizações humanitárias aos centros de detenção.

O embaixador israelita diz que o seu governo enviou provas e contestação das acusações feitas pela ONU e que convidaram representantes das Nações Unidas a examinar a situação no terreno, não tendo obtido resposta positiva. Mas no ano passado foi notícia o facto de a Representante Especial do Secretário-Geral para a Violência Sexual em Zonas de Conflito, Pramila Patten, ter sido impedida por Israel de investigar a fundo os crimes de guerra do Hamas no ataque de outubro de 2023. A razão foi que a ONU também exigiu a Israel que a deixasse investigar a violência sexual contra palestinianos nas prisões israelitas, com acesso livre aos centros de detenção, o que Israel recusou.

Plano de limpeza étnica vai ser cumprido em Gaza, promete o ministro da Defesa de Israel

Numa declaração feita esta quarta-feira para anunciar o assassinato de um novo comandante do Hamas, Mohammed Odeh, o ministro da Defesa israelita afirmou que o plano de longo prazo para a Faixa de Gaza do governo sionista, que passa por obrigar à migração massiva da população atual, é mesmo para cumprir.

Esse plano será implementado “no momento certo e da maneira certa”, afirmou Israel Katz, que usa a expressão “migração voluntária” para contornar o facto de a transferência forçada de população civil ser um crime de guerra e contra a humanidade.

Como afirmam as organizações de direitos humanos israelitas, as condições de vida que Israel impôs à Faixa de Gaza significam que nenhuma partida do território pode ser considerada “voluntária” e do que se trata é de um plano de limpeza étnica.

Alguns analistas afirmam que o regresso da retórica a favor da limpeza étnica de Gaza está ligado às eleições previstas para outubro, numa altura em que se espera que haja um cessar-fogo duradouro no Irão e no Líbano. “Infelizmente, falar de limpeza étnica em Gaza não é necessariamente algo que o vá prejudicar na política interna. Na verdade, pode até ajudá-lo”, disse ao Guardian Mairav Zonszein, do International Crisis Group.