Dois anos depois de ser incluído na “lista negra” da ONU dos países que cometem abusos contra crianças em zonas de conflito armado, após o massacre de milhares de crianças em Gaza, Israel foi agora colocado noutra “lista negra” das Nações Unidas: a dos países que cometem agressões sexuais em zonas de conflito.
A notícia do diário Haaretz foi confirmada pelo embaixador israelita na ONU, Danny Danon, que fala em “calúnia” para atacar a decisão de pôr o seu país na mesma lista onde figuram o Estado Islâmico e, desde agosto, o Hamas. Foi nessa altura que António Guterres avisou Israel de que podia vir a juntar-se à lista caso não tomasse medidas como a libertação dos palestinianos detidos de forma arbitrária, a investigação das queixas de violência sexual por parte dos presos, o tratamento humano dos detidos e medidas de prevenção, como o acesso das organizações humanitárias aos centros de detenção.
O embaixador israelita diz que o seu governo enviou provas e contestação das acusações feitas pela ONU e que convidaram representantes das Nações Unidas a examinar a situação no terreno, não tendo obtido resposta positiva. Mas no ano passado foi notícia o facto de a Representante Especial do Secretário-Geral para a Violência Sexual em Zonas de Conflito, Pramila Patten, ter sido impedida por Israel de investigar a fundo os crimes de guerra do Hamas no ataque de outubro de 2023. A razão foi que a ONU também exigiu a Israel que a deixasse investigar a violência sexual contra palestinianos nas prisões israelitas, com acesso livre aos centros de detenção, o que Israel recusou.
Plano de limpeza étnica vai ser cumprido em Gaza, promete o ministro da Defesa de Israel
Numa declaração feita esta quarta-feira para anunciar o assassinato de um novo comandante do Hamas, Mohammed Odeh, o ministro da Defesa israelita afirmou que o plano de longo prazo para a Faixa de Gaza do governo sionista, que passa por obrigar à migração massiva da população atual, é mesmo para cumprir.
Esse plano será implementado “no momento certo e da maneira certa”, afirmou Israel Katz, que usa a expressão “migração voluntária” para contornar o facto de a transferência forçada de população civil ser um crime de guerra e contra a humanidade.
Como afirmam as organizações de direitos humanos israelitas, as condições de vida que Israel impôs à Faixa de Gaza significam que nenhuma partida do território pode ser considerada “voluntária” e do que se trata é de um plano de limpeza étnica.
Alguns analistas afirmam que o regresso da retórica a favor da limpeza étnica de Gaza está ligado às eleições previstas para outubro, numa altura em que se espera que haja um cessar-fogo duradouro no Irão e no Líbano. “Infelizmente, falar de limpeza étnica em Gaza não é necessariamente algo que o vá prejudicar na política interna. Na verdade, pode até ajudá-lo”, disse ao Guardian Mairav Zonszein, do International Crisis Group.