Palestina

Prisões israelitas são “campos de tortura”, diz relatório de ONG

06 de agosto 2024 - 16:46

Novo relatório da B'tselem aponta para "prática sistemática e prolongada do crime de tortura" nas prisões israelitas, que transitou de atos de vingança espontânea para "uma política organizada e declarada das autoridades prisionais israelitas”.

PARTILHAR
Policia israelita
Fotografia de B'tselem

Um relatório publicado pelo Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados (B’tselem), denuncia as condições “desumanas” das prisões israelitas, que incluem “violência severa e arbitrária, violência sexual, humilhação e degradação, fome forçada, condições forçadas de falta de higiene, privação de sono”, entre outras.

“Bem-vindos ao inferno” é o título do mais recente relatório da B’tselem. É também o que foi dito a Fouad Hassan por um soldado israelita à entrada da prisão. Palestiniano residente em Qusrah, Hassan esteve detido na prisão de Megiddo, onde foi espancado e torturado. O relatório recolhe testemunhos de 55 palestinianos que estiveram detidos em prisões e centros de detenção israelitas desde 7 de outubro de 2023.

A organização conclui que “o abuso descrito consistentemente nos testemunhos de dezenas de indivíduos detido em diferentes locais foi tão sistemático, que é sem dúvida uma política organizada e declarada das autoridades prisionais israelitas”, através da qual se desenvolveu o “processo em que mais de uma dúzia de prisões israelitas, tanto militares como civis, foram convertidas numa rede de campos dedicados ao abuso dos prisioneiros”, considerando mesmo que tais lugares são “campos de tortura”.

O relatório identifica o ataque de 7 de outubro como uma fonte de trauma para o povo israelita, que foi aproveitado pelo Ministro de Segurança Nacional Ben Gvir, de extrema-direita, para aplicar a sua “ideologia racista” utilizando os meios ao seu dispor. Entre estes meios está o sistema prisional, para o qual o ministro “desenhou uma política direcionada a esmagar os direitos básicos dos prisioneiros palestinianos”.

O estado de emergência foi utilizado pelo Governo israelita para aplicar uma violação sistemática de vários direitos humanos e para generalizar a “prática sistemática e prolongada do crime de tortura”, transitando “o que pareciam inicialmente ser atos espontâneos de vingança para um regime permanente e sistemático que retira todas as proteções” aos palestinianos detidos.

Em julho de 2024, havia registo de 9.623 palestinianos detidos em prisões e centros de detenção israelita. Este número perfaz o dobro dos números registados antes de outubro de 2023. A B’tselem confirma que destes, 4.781 estavam detidos sem julgamento, sem serem acusados de nenhum crime e sem o direito à sua defesa jurídica. Pelo menos 60 prisioneiros palestinianos morreram enquanto estavam detidos em prisões israelitas nos últimos meses.