Com dois palcos dedicados aos ritmos psicadélicos do trance e do dub, o festival Antha Gathering promete “cinco dias de música, arte e conteúdo que expande a alma” a meia hora de distância de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu. O local é nos arredores de Manhouce, no sítio da Anta de Baixo, apresentando pelos organizadores como estando “no coração selvagem da natureza”.
Em comunicado, a Plataforma BDS Portugal denuncia que “os organizadores, a produção, o proprietário do terreno, artistas e outras entidades associadas são, quase exclusivamente, israelitas sionistas”. O principal organizador, que também é DJ com o nome artístico de “Fat Cat”, interrompeu a vida artística em outubro de 2023 para regressar a Israel e juntar-se ao batalhão “Sayeret Nahal”, uma unidade das forças especiais e de reconhecimento integrada na brigada Nahal, cujos soldados são conhecidos como “Corvos de Nahal”, aponta a plataforma.
“A cultura psicadélica em Portugal não pode ser um porto seguro para quem cometeu crimes de guerra e contra a humanidade. Não aceitamos o livre trânsito em Portugal de quem pratica, apoia, relativiza ou normaliza estes crimes”, conclui a Plataforma BDS, apelando a ”um boicote total a este evento de normalização e de acolhimento de criminosos e de apologistas de crimes de guerra e contra a humanidade”, nomeadamente ao fim da colaboração de cidadãos e empresas portuguesas com este evento.
Numa carta aberta dirigida aos responsáveis da autarquia de São Pedro do Sul, os ativistas questionam se foram emitidas as necessárias licenças para a realização do evento e apela à autarquia para reavaliar o apoio institucional e assegurar-se que os recursos públicos e culturais não são usados para legitimar práticas contrárias ao direito internacional.
Em Viseu, a Plataforma Já Marchavas também emitiu um comunicado a repudiar e exigir o cancelamento deste festival, apelando à Câmara Municipal de São Pedro do Sul e às autoridades policiais “que interditem a realização do Festival e que siga o exemplo da Câmara Municipal de Barcelona que cortou todos os laços diplomáticos e comerciais com Telavive”.