Boicote

Do genocídio para a pista de dança: soldado israelita organiza festival em Portugal

26 de agosto 2025 - 14:14

O festival “Anta Gathering” terá lugar no fim de semana perto de São Pedro do Sul. Campanha BDS apela ao boicote da iniciativa.

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Crianças em Gaza e o ex-soldado israelita organizador do Anta
Crianças em Gaza e o ex-soldado israelita organizador do Anta.

Com dois palcos dedicados aos ritmos psicadélicos do trance e do dub, o festival Antha Gathering promete “cinco dias de música, arte e conteúdo que expande a alma” a meia hora de distância de São Pedro do Sul, no distrito de Viseu. O local é nos arredores de Manhouce, no sítio da Anta de Baixo, apresentando pelos organizadores como estando “no coração selvagem da natureza”.

Em comunicado, a Plataforma BDS Portugal denuncia que “os organizadores, a produção, o proprietário do terreno, artistas e outras entidades associadas são, quase exclusivamente, israelitas sionistas”. O principal organizador, que também é DJ com o nome artístico de “Fat Cat”, interrompeu a vida artística em outubro de 2023 para regressar a Israel e juntar-se ao batalhão “Sayeret Nahal”, uma unidade das forças especiais e de reconhecimento integrada na brigada Nahal, cujos soldados são conhecidos como “Corvos de Nahal”, aponta a plataforma.

“A cultura psicadélica em Portugal não pode ser um porto seguro para quem cometeu crimes de guerra e contra a humanidade. Não aceitamos o livre trânsito em Portugal de quem pratica, apoia, relativiza ou normaliza estes crimes”, conclui a Plataforma BDS, apelando a ”um boicote total a este evento de normalização e de acolhimento de criminosos e de apologistas de crimes de guerra e contra a humanidade”, nomeadamente ao fim da colaboração de cidadãos e empresas portuguesas com este evento.

Numa carta aberta dirigida aos responsáveis da autarquia de São Pedro do Sul, os ativistas questionam se foram emitidas as necessárias licenças para a realização do evento e apela à autarquia para reavaliar o apoio institucional e assegurar-se que os recursos públicos e culturais não são usados para legitimar práticas contrárias ao direito internacional.

Em Viseu, a Plataforma Já Marchavas também emitiu um comunicado a repudiar e exigir o cancelamento deste festival, apelando à Câmara Municipal de São Pedro do Sul e às autoridades policiais “que interditem a realização do Festival e que siga o exemplo da Câmara Municipal de Barcelona que cortou todos os laços diplomáticos e comerciais com Telavive”.