Com partida a 31 agosto de Barcelona e a 4 de setembro da Tunísia, a maior flotilha humanitária de sempre vai contar com dezenas de embarcações rumo à Faixa de Gaza. Como sempre, o objetivo é levar ajuda humanitária e tentar romper o bloqueio ilegal de Israel à Faixa de Gaza, chamando a atenção do mundo para o genocídio em curso contra o povo palestiniano.
Flotilha da Liberdade
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Desta vez a iniciativa vai contar com presença de portugueses, com Mariana Mortágua, Sofia Aparício e Miguel Duarte a embarcarem já no final desta semana. A Global Sumud Flotilla associa coordenadores, organizadores e participantes da Flotilha da Liberdade, da Flotilha Sumud do Magrebe, do comboio Sumud Nusantara e do Movimento Global Para Gaza.
“Conhecendo o historial de intervenções anteriores das forças israelitas contra este tipo de ações humanitárias, a delegação portuguesa deu conhecimento desta missão ao Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros português”, diz o comunicado que anuncia a presença dos três portugueses.
Esta iniciativa sem precedentes pela sua dimensão foi anunciada em meados de agosto pela ativista sueca Greta Thunberg, que volta a participar na flotilha. Desta vez ela conta com participantes de 44 nacionalidades, incluindo ativistas, médicos e figuras conhecidas do meio artístico, como a atriz Susan Sarandon ou os atores Liam Cunningham, Mark Ruffalo e Gustaf Skarsgård.
As duas últimas tentativas de levar ajuda humanitária por mar à Faixa de Gaza em junho e julho foram intercetadas pelas tropas israelitas em águas internacionais, com os barcos Madleen e Handala a serem levados para portos israelitas e os seus tripulantes e passageiros detidos e deportados em seguida.
“Esta viagem não é sobre as pessoas que compõem a delegação, é sobre Gaza e quem sofre na Palestina”
Em conferência de imprensa realizada ao final da tarde de terça—feira, Mariana Mortágua explicou as razões para ter aceitado o convite de organizações internacionais para participar na missão humanitária a Gaza e resumiu os seus objetivos de “romper o bloqueio humanitário, o que é legal do ponto de vista do Direito internacional e é mesmo um imperativo moral e ético”, levar ajuda à população que vive sob um cerco, mas também “denunciar o genocídio e prestar solidariedade e apoio à causa palestiniana”.
A coordenadora bloquista diz que se trata de “uma missão humanitária sem precedentes, que junta as várias organizações e missões que até hoje procuraram chegar até Gaza”, reunindo “dezenas de embarcações, delegações de mais de 40 países com eurodeputados, deputados, figuras públicas de diferentes percursos”. Ou seja, terá uma “dimensão internacional nunca vista”, o que a leva a esperar que “traga a visibilidade necessária e os constrangimentos necessários a Israel para forçar a passagem desta ajuda humanitária”.
Lembrando que “a última missão que conseguiu furar o bloqueio há mais de uma década integrava a Marisa Matias”, então eurodeputada, Mariana Mortágua disse que aceitou o convite por entender que “Portugal deve ter uma delegação e ela deve ser composta por titulares de cargos públicos e figuras públicas, pois isso ajuda a chamar a atenção para a missão humanitária e essa presença protege a flotilha”, tornando mais difícil ao governo israelita bloquear a sua passagem.
Flotilha da Liberdade
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“A proteção diplomática que tenho enquanto deputada ajuda esta missão e esse foi um dos elementos que ponderei para aceitar o convite”, prosseguiu Mariana Mortágua, que em conjunto com a atriz Sofia Aparício e o ativista dos direitos humanos Miguel Duarte comunicou ao Governo português a sua participação na missão, apelando a que sejam feitos os esforços diplomáticos para garantir “a proteção necessária à passagem segura destas embarcações com ajuda humanitária”.
Questionada sobre a preparação para a viagem e as condições que irá enfrentar nesta missão, Mariana sublinhou que “esta viagem não é sobre as pessoas que compõem a delegação, é sobre Gaza e quem sofre na Palestina”. Acrescentou que “se tudo correr como esperamos, as delegações dos vários países estarão de regresso sãos e salvos no início do ano parlamentar” e até lá a representação pública do Bloco será assegurada por dirigentes do partido.