Flotilha da Liberdade

Tropas israelitas assaltaram barco solidário a caminho de Gaza

09 de junho 2025 - 10:40

O barco Madleen transportava ativistas e ajuda humanitária com destino a Gaza. Assalto das tropas israelitas ocorreu em águas internacionais na madrugada de segunda-feira.

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momento da captura dos ativistas a bordo do barco Madleen
momento da captura dos ativistas a bordo do barco Madleen. Imagens divulgadas pelos militares israelitas

A viagem da Flotilha da Liberdade com ajuda humanitária para Gaza levava vários ativistas a bordo do navio Madleen, como a ecologista sueca Greta Thunberg e a eurodeputada franco-palestiniana Rima Hassan. Mas tal como era esperado, Israel não as deixou chegar ao destino.

Um comando militar israelita assaltou o barco na madrugada de segunda-feira a cerca de 185 quilómetros de Gaza e está a desviá-lo para um porto israelita, de onde os ativistas deverão ser deportados para os seus países. De acordo com relatos na imprensa, os militares ordenaram aos ativistas e jornalistas a bordo que atirassem os seus telemóveis borda fora e o ministro da Defesa Israel Katz congratulou-se com a operação, anunciando que os ativistas serão obrigados a ver vídeos editados pelo exército com imagens chocantes dos ataques do Hamas assim que chegarem a um porto israelita.

A Flotilha da Liberdade divulgou nas redes sociais os vídeos pré-gravados de cada um dos ativistas a bordo com mensagens a apelar aos apoiantes de todo o mundo para que pressionem os seus governos a agir para os libertarem e acabar com a guerra de Israel em Gaza.

A secretária-geral da Amnistia Internacional não tem dúvidas de que se trata de mais uma “violação das leis internacionais” por parte do Estado de Israel, que enquanto potência ocupante de Gaza “tem a obrigação legal de assegurar que os civis têm comida e medicamentos suficientes”. Por isso, “deviam ter deixado o Madleen entregar a sua ajuda humanitária a Gaza”, afirma Agnes Callamard.

Nas redes sociais, a coordenadora do Bloco de Esquerda afirmou que está em causa o apoio ao povo de Gaza e a segurança dos ativistas. Mariana Mortágua acrescenta que “o governo português deve condenar imediatamente a atuação de Israel”. 

O grupo parlamentar da Esquerda no Parlamento Europeu, onde tem assento Rima Hassan, diz que “esta interceção, realizada fora das águas territoriais israelitas, constitui uma violação flagrante do direito internacional, incluindo o direito marítimo e o direito humanitário”.

“A detenção dos membros da tripulação e a confiscação da ajuda destinada a uma população em perigo humanitário imediato é inaceitável e faz claramente parte de uma estratégia mais vasta para matar à fome e massacrar os palestinianos em Gaza, escondendo do mundo os crimes de guerra israelitas”, acrescentou o grupo em comunicado, apelando à condenação veemente do assalto israelita ao Madleen por parte da União Europeia e das Nações Unidas.

“A solidariedade não é um crime. O genocídio é”, conclui o grupo da Esquerda no Parlamento Europeu. No domingo, vários eurodeputados, incluindo Catarina Martins, dirigiram uma carta às autoridades israelitas a apelar a que não houvesse interferência com a missão humanitária do Madleen, em resposta às ameaças do ministro da Defesa Israel Katz. Caso Israel concretizasse as ameaças, os eurodeputados exigiram que os nacionais da UE fossem imediata e incondicionalmente libertados e lhes fosse garantido o apoio consular.

O assalto ao Madleen provocou reações de indignação por todo o mundo. Na Austrália, o Conselho Judaico daquele país apelou ao governo para intervir no sentido de garantir a libertação imediata do grupo de ativistas a bordo, lembrando que “Israel tem um historial de matar ativistas que tentam entregar ajuda humanitária a Gaza e não se lhe pode confiar a tarefa de garantir a segurança da tripulação da Flotilha da Liberdade”.

Entretanto, os governos do Irão e da Turquia já vieram condenar o ataque ao Madleen, com Teerão a sublinhar que um assalto em águas internacionais corresponde a um ato de pirataria à luz da lei internacional e Ancara a acusar Israel de “uma vez mais mostrar que age como um estado terrorista”. Já o governo sueco afirmou apenas que Greta Thunberg e outros cidadãos suecos a bordo terão direito a apoio caso precisem.

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