Flotilha da Liberdade

Israel manda militares impedirem barco solidário de entrar em Gaza

08 de junho 2025 - 18:16

O Madleen transporta ativistas da Flotilha da Liberdade, como a eurodeputada franco-palestiniana Rima Hassan e a ecologista sueca Greta Thunberg.

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Ativistas no Madleen
Ativistas no Madleen. Foto publicada por Rima Hassan nas redes sociais.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, anunciou este domingo que deu ordens ao exército para impedir o navio Madleen de chegar à Faixa de Gaza. “À Greta anti-semita e aos seis companheiros porta-vozes da propaganda do Hamas, digo claramente: façam meia-volta porque não chegarão a Gaza”, escreveu o ministro, prometendo que o país “agirá contra qualquer tentativa de furar o bloqueio ou de ajudar organizações terroristas por mar, ar e terra”.

Segundo os ativistas a bordo, ainda em águas egípcias, o navio continua a ser seguido por drones de vigilância e além de um bloqueio de comunicações, temem também que Israel se prepare para cometer outro crime de guerra se decidir atacá-los. A imprensa israelita diz que o objetivo dos militares será interceptar o barco à entrada das águas territoriais de Gaza, levá-lo para um porto israelita e deportar os ativistas.

Furar o bloqueio à entrada de ajuda humanitária é justamente o objetivo da viagem do Madleen, que transporta arroz, conservas, sumos de frutas, leite e barritas de proteína doadas por cidadãos italianos. E foi em Itália que este sábado se manifestaram cerca de 300 mil pessoas contra o massacre de Gaza e a cumplicidade do governo de Giorgia Meloni, uma das mais próximas aliadas de Netanyahu na União Europeia e que nas últimas semanas tem criticado a situação humanitária “cada vez mais dramática e injustificável” que se vive em Gaza.

Em França, onde Rima Hassan foi eleita para o Parlamento Europeu nas listas da França Insubmissa, o recém-reeleito líder do PS, Olivier Faure, declarou o seu apoio à iniciativa e classificou de “ridícula” a acusação do ministro israelita. A líder parlamentar da França Insubmissa, Mathilde Panot, apelou a que as atenções se centrem no navio nas próximas horas para exigir a entrada da ajuda humanitária em Gaza. Dentro do Madleen, Rima Hassan fez saber que “não daremos meia-volta”, insistiu que a ação do Madleen é legal e que é Israel que está em situação de ilegalidade e exigiu a abertura de um corredor marítimo seguro para entregar a ajuda a bordo do navio.

O apoio ao Madleen veio também da Relatora especial da ONU para os Territórios Palestinianos Ocupados, Francesca Albanese, através de uma mensagem nas redes sociais a desejar muita força aos ativistas que deveriam chegar a Gaza nas próximas 24 horas: “Vocês são os defensores dos direitos humanos de que todos precisamos”.