Lutas

CGTP e UGT convocam greve geral para 11 de dezembro

08 de novembro 2025 - 17:27

Manifestação da CGTP juntou muitos milhares de pessoas em Lisboa contra o pacote laboral. A luta vai continuar com uma greve geral convocada pelas duas centrais sindicais.

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Manifestação da CGTP este sábado em Lisboa.
Manifestação da CGTP este sábado em Lisboa. Foto António Cotrim/Lusa

A luta dos trabalhadores contra o pacote laboral do Governo que vem cortar mais direitos e acentuar a precariedade vai prosseguir com uma greve geral convocada pela primeira vez em onze anos pelas duas centrais sindicais. CGTP e UGT anunciaram este sábado a data de 11 de dezembro para parar o país em protesto contra as alterações à lei laboral que preveem medidas no sentido de liberalizar os despedimentos, permitir a renovação ilimitada de contratos a prazo para quem nunca teve contrato permanente, atacar o direito à greve e os direitos das mães trabalhadoras, além de recuar em medidas positivas aprovadas nos últimos anos e que permitiram o reconhecimento dos contratos de trabalho nas plataformas digitais, a criminalização do trabalho não declarado ou a clarificação do direito à intervenção sindical nas empresas.

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Para combater este pacote laboral, muitos milhares de pessoas manifestaram-se este sábado em Lisboa na marcha convocada pela CGTP que desceu a avenida da Liberdade com cortejos que partiram do Saldanha e das Amoreiras e juntaram trabalhadores vindos de todo o país. Após o anúncio da data de 11 de dezembro para a greve geral, feito pelo secretário-geral Tiago Oliveira, os manifestantes responderam com a palavra de ordem “O ataque é brutal, vamos à greve geral”, 

Governo é que está “capturado pelos interesses dos grandes grupos económicos”, diz Mariana Mortágua

Presente na manifestação, Mariana Mortágua saudou o anúncio da greve geral disse que “é importantíssimo este momento de luta conjunta” e a “união das várias forças que defendem os direitos dos trabalhadores”.

“A direita assim que chega ao poder tem uma voracidade sobre os direitos do trabalho e este pacote laboral é isso que traz: menos salário, mais precariedade, banco de horas”, prosseguiu a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Questionada pelos jornalistas sobre as acusações de Luís Montenegro aos sindicatos, ao afirmar que é uma irresponsabilidade convocar a greve enquanto decorrem negociações, Mariana Mortágua respondeu que “esta greve é a prova da responsabilidade das centrais sindicais, por terem uma estratégia conjunta para defender os trabalhadores, que é a grande tarefa dos sindicatos”.

Quanto à acusação do primeiro-ministro de que os sindicatos estão “capturados” por partidos políticos, Mariana responde que “na verdade é o Governo que está capturado pelos interesses privados e dos grandes grupos económicos”, dando o exemplo do Orçamento do Estado que “traz uma borla imensa à banca, uma descida de impostos nunca vista aos bancos”, concluindo que “haver sindicatos que defendem os trabalhadores é um sinal de esperança para o futuro”.

Considerando este governo “mais ideológico” do que o do tempo da troika, Mariana Mortágua resume o seu programa na vontade de “liberalizar, privatizar, vender aquilo que resta do serviço público, precarizar as relações laborais e diminuir os salários”. E para combater “este governo que é o mais radical à direita de que há memória, apoiado pela extrema-direita, vai ser preciso tomar medidas que nunca foram tomadas”. 

A candidata presidencial Catarina Martins também esteve na manifestação em Lisboa e considerou “muito importante que todos os candidatos à Presidência da República se pronunciem sobre o que acham que o Governo pôs em cima da mesa”. Na sua opinião, este pacote laboral é "um ataque ao trabalho" e "viola a Constituição da República Portuguesa" no que respeita ao direito à greve e à proibição de despedimentos sem justa causa.

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