António Guterres: “Uma catástrofe humanitária desenrola-se diante dos nossos olhos”

29 de outubro 2023 - 11:25

“Este é o momento da verdade. Todos devem assumir as suas responsabilidades. A história julgará todos nós”, afirmou o secretário-geral das Nações Unidas, renovando o apelo por “um cessar-fogo humanitário imediato”. Número de trabalhadores das Nações Unidas mortos em Gaza sobe para 59.

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Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Foto UN Geneva.

As Nações Unidas intensificaram este sábado os apelos por um cessar-fogo humanitário imediato em Gaza, após mais uma noite de incursões terrestres e intensos bombardeamentos por forças israelitas que deixaram os hospitais sem eletricidade e os palestinianos praticamente “isolados do mundo exterior”.

A partir de Doba, onde se encontrou com o primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou ter sido “encorajado, nos últimos dias, pelo que parecia ser um consenso crescente na comunidade internacional, incluindo os países que apoiam Israel, sobre a necessidade, de pelo menos, uma pausa humanitária nos combates para facilitar a libertação de reféns em Gaza, a evacuação de nacionais de países terceiros e o necessário aumento maciço da prestação de ajuda humanitária à população de Gaza”.

“Lamentavelmente, em vez da pausa, fui surpreendido por uma escalada sem precedentes dos bombardeamentos e dos seus impactos devastadores, minando os referidos objetivos humanitários”, acrescentou.

António Guterres afirmou-se ainda “extremamente preocupado com o pessoal da ONU que está em Gaza para prestar assistência humanitária”, face às falhas nas comunicações.

O secretário-geral das Nações Unidas frisou que “esta situação deve ser revertida” e reiterou o seu “forte apelo a um cessar-fogo humanitário imediato, juntamente com a libertação incondicional de reféns e a prestação de ajuda humanitária a um nível que corresponda às necessidades dramáticas da população de Gaza”.

António Guterres alertou que “uma catástrofe humanitária se desenrola diante dos nossos olhos” e repetiu as suas declarações anteriores: “Quero repetir o que disse ontem. Este é o momento da verdade. Todos devem assumir as suas responsabilidades. A história julgará todos nós”.

A Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) comunicou, entretanto, que o número dos seus trabalhadores mortos na Faixa de Gaza, desde 7 de outubro subiu para 59.