A resolução apresentada pela Jordânia, e apoiada por mais de 40 Estados-Membros, incluindo o Egito, Omã e os Emirados Árabes Unidos, foi aprovada pela Assembleia Geral, com 120 votos a favor, 14 contra (Áustria; Croácia; Estados Unidos; Fiji; Guatemala; Honduras; Ilhas Marshall; Israel; Micronésia; Nauru; Papua-Nova Guiné; Paraguai; Tchéquia; Tonga) e 45 abstenções. O documento, ainda que não vinculativo, marca a primeira resposta formal das Nações Unidas às hostilidades desde os ataques do Hamas de 7 de outubro, isto após o Conselho de Segurança ter falhado, em quatro ocasiões, chegar a consenso sobre qualquer ação.

Assembleia da ONU aprova resolução de países árabes sobre guerra de Israel / Reprodução da CNN Brasil
Na quarta-feira, o Conselho de Segurança não conseguiu adotar duas resoluções sobre a abordagem da crise humanitária. A China e a Rússia vetaram um projeto de resolução liderado pelos Estados Unidos e uma segunda resolução apoiada pela Rússia não conseguiu garantir votos a favor suficientes. Anteriormente, um projeto de resolução liderado pela Rússia apelando a um “cessar-fogo humanitário imediato” já tinha sido rejeitado, e os EUA tinham vetaram um texto liderado pelo Brasil que apelava a “pausas humanitárias” para entregar ajuda a milhões de pessoas na Faixa de Gaza.
A resolução agora adotada apela a uma “trégua humanitária imediata, duradoura e sustentada” e exige que todas as partes cumpram o direito humanitário internacional e o fornecimento “contínuo, suficiente e sem entraves” de bens e serviços essenciais à Faixa de Gaza. Exorta também à “libertação imediata e incondicional” de todos os civis mantidos em cativeiro, bem como exige a sua segurança, bem-estar e tratamento humano, em conformidade com o direito internacional. Por fim, a resolução afirma que “uma solução justa e duradoura para o conflito israelense-palestino só poderá ser alcançada por meios pacíficos, de acordo com as resoluções relevantes das Nações Unidas e do direito internacional e com base no a solução de dois Estados”.
O facto de a resolução não fazer menção específica aos ataques do Hamas de 7 de outubro, foi uma das questões-chave que esteve na origem de uma proposta de alteração por parte do Canadá, que contou com o apoio de dezenas de países, entre eles de Portugal, Estados Unidos ou Reino Unido. O documento propunha a condenação inequívoca dos ataques terroristas do Hamas e apelava à imediata e incondicional libertação dos reféns. O Paquistão teceu duras críticas à proposta, destacando que se o Hamas fosse nomeado como terrorista, o Estado de Israel também deveria sê-lo. A emenda do Canadá acabou por ser rejeitada com 88 votos a favor, 55 contra e 23 abstenções. As decisões da Assembleia sobre questões como a manutenção da paz e segurança internacionais são adotadas por maioria de dois terços dos membros presentes e votantes.
"O dia da infâmia": Israel insulta 120 países que apelam a trégua humanitária
O embaixador de Israel na ONU, reagiu com ira, assinalando que “hoje é um dia que cairá na infâmia”. “Todos nós testemunhamos que a ONU não tem nem uma grama de legitimidade”, frisou. Gilad Erdan acrescentou ainda que “a ONU está empenhada em garantir mais atrocidades”.
“Este é um dia sombrio para a ONU e a humanidade. Israel defender-se-á e fará o que for necessário para erradicar as capacidades do Hamas e trazer os reféns para casa”, garantiu.
Gilad Erdan acusou aqueles que votaram a favor da resolução de preferirem apoiar “a defesa dos terroristas nazis” em vez de Israel. “Esta resolução ridícula tem a audácia de pedir trégua. O objetivo desta resolução de trégua é que Israel deixe de se defender perante o Hamas, para que o Hamas possa incendiar-nos”, afirmou o embaixador de Israel na ONU.
O bombardeamento de Gaza por Israel, especialmente no norte do enclave, aumentou de intensidade esta sexta-feira, e o porta-voz militar israelita garantiu que as forças terrestres israelitas estão a “expandir as operações”.