Lutas

Dia Internacional do Enfermeiro assinalado com greve e protestos

12 de maio 2026 - 13:18

Enfermeiros concentraram-se junto ao Ministério da Saúde e continuam a lutar pela valorização da carreira e pela reposição da justiça na avaliação de desempenho. José Manuel Pureza juntou-se ao “grito de alerta” dos enfermeiros.

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Enfermeiros em luta
Manifestação de enfermeiros esta terça-feira junto ao Ministério da Saúde Foto Esquerda.net

Comemora-se esta terça-feira o Dia Internacional do Enfermeiro e esta foi a data escolhida pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses para voltar a trazer à rua a luta pela valorização da profissão e a correção de injustiças do passado no processo de avaliação de desempenho.

“Esperamos que o Ministério da Saúde, depois desta greve, desta manifestação do Dia Internacional do Enfermeiro, nos convoque para uma reunião, designadamente sobre a questão da contagem de pontos por avaliação de desempenho”, disse à Lusa o presidente do SEP, José Carlos Martins, durante a concentração.

O sindicalista diz esperar uma elevada adesão à greve que reivindica também a contratação de mais profissionais, o fim dos contratos precários e o pagamento dos retroativos entre 2018 e 2021 referentes à progressão na carreira, além do aumento de salários e das 35 horas semanais para todos os enfermeiros.

Os enfermeiros contestam ainda o pacote laboral e a proposta do Governo para um Acordo Coletivo de Trabalho que “visa retirar rendimento aos enfermeiros”, agravando os “problemas já hoje existentes”.

Pureza acusa ministra de ser “responsável pela grande crispação e desilusão que está criada na enfermagem e em todas as carreiras do SNS”

O coordenador bloquista José Manuel Pureza esteve presente na concentração convocada pelo SEP e disse aos jornalistas que “os enfermeiros estão a dar ao país e ao Governo mais um grito de alerta contra a situação de grande degradação que o exercício da sua profissão está sujeito neste momento”.

Pureza acusou a ministra da Saúde de ter ignorado os alertas anteriores e ser “responsável pela grande crispação e desilusão que está criada na enfermagem e em todas as carreiras do SNS” e que só podem ser contrariadas com uma “alteração profunda da política que o Governo tem para este setor”.

Questionado pelos jornalistas sobre a iniciativa presidencial de um “pacto para a Saúde”, o coordenador do Bloco de Esquerda respondeu que esse pacto “já existe; é o que tem unido PS e PSD na desgovernação e desqualificação do SNS” e que “o que é preciso é romper com esse pacto”.

“O melhor pacto que conheço para a Saúde foi escrito por António Arnaut e Joao Semedo, chama-se “Salvar o SNS” e propõe financiamento adequado, dignificação das carreiras, autonomia de gestão das unidades de saúde, reforço dos cuidados de saúde primários. Sem isso não há política de Saúde que seja apta para um país como Portugal”, concluiu José Manuel Pureza.