Marinha bloqueia sites do Bloco, PCP, Livre e PS

10 de maio 2026 - 10:47

Todos os sites dos partidos da esquerda com assento parlamentar estão inacessíveis na rede de internet da Marinha. A Armada invoca "questões técnicas". Bloco exige explicações formais e averiguação independente ao ministro Nuno Melo.

PARTILHAR
Ministro Nuno Melo com o Chefe do Estado-Maior da Armada Jorge Nobre de Sousa
Ministro Nuno Melo com o Chefe do Estado-Maior da Armada Jorge Nobre de Sousa. Foto Marinha Portuguesa

O deputado do Bloco de Esquerda Fabian Figueiredo dirigiu uma pergunta ao Ministério da Defesa Nacional sobre o bloqueio dos sites de todos os partidos da esquerda com representação parlamentar na rede interna da Marinha. Os sites do Bloco de Esquerda, do PCP, do Livre e do Partido Socialista estão inacessíveis a partir desta rede, os dos partidos à direita e da extrema-direita estão disponíveis.

A informação foi divulgada inicialmente numa publicação da página "Contra Narrativa" e confirmada pela Marinha em resposta à agência Lusa. No caso dos sites do Bloco, do PCP e do Livre, surge a mensagem "Conteúdo bloqueado por políticas de proxy – Marinha". No caso do site do PS, aparece um alerta a indicar que o acesso não é possível.

A Armada rejeita qualquer razão "relacionada com a natureza ideológica ou partidária" e justifica a medida com a "segurança operacional" e a necessidade de mitigar riscos no "atual ambiente estratégico de competição geopolítica". Argumenta que "a exposição irrestrita ao domínio externo amplia a superfície de ataque e facilita atos de exploração que podem comprometer sistemas".

Para o Bloco, a explicação técnica não dispensa escrutínio. "Que política de proxy é esta, que filtra com tanta precisão cirúrgica exatamente a esquerda parlamentar?", questiona o deputado. "Quando uma força armada limita o acesso dos seus militares às fontes dos partidos segundo um padrão ideológico tão evidente, o problema deixa de ser informático e passa a ser político."

Na pergunta dirigida ao ministro Nuno Melo, o partido coloca três exigências ao Governo: que informe sobre o conhecimento que tem da situação; que averigue "de forma autónoma" as alegadas causas técnicas, para confirmar que não há motivação política e que garanta que o mesmo bloqueio não está a ocorrer nas redes de internet dos restantes ramos das Forças Armadas.

"O direito à informação é incontornável numa democracia", é sublinhado numa pergunta, lembrando que o bloqueio "é grave o suficiente para merecer uma investigação imparcial sobre as suas razões, alegadamente técnicas, para confirmar que não existe qualquer motivação política por detrás do bloqueio dos sites do Bloco de Esquerda, do PCP, do Livre e do PS".

A pergunta parlamentar recorda ainda que cabe ao Governo apurar há quanto tempo o bloqueio se mantém e como resolvê-lo.

Termos relacionados: Política