O torvelinho no Egipto foi causado por factores económicos. Mas que ninguém se engane: há causas muito mais profundas, que se podem resumir numa palavra: a Palestina.
Esta é uma moção táctica de alcance estratégico. Recusa inevitáveis. Se aprovada, trará eleições num tempo que não é o preferido pela direita e onde o socratismo terá reduzida margem para chantagear com o voto útil. Se chumbada, acentua o compromisso do PSD com a decadência do governo.
Uma das respostas mais reveladoras à moção de censura do Bloco de Esquerda foi o rápido alinhamento dos comentadores conservadores e de direita em defesa do governo.
Vasco Pulido Valente, no seu estilo truculento de sempre, sintetiza os argumentos que, nos últimos dias, foram aduzidos contra o Bloco: piruetas, oportunismos, voltes de face e (ir)responsabilidade.
Esta estabilidade conseguiu cortar em cerca de 30% o total das bolsas de estudos, reduzir o valor médio das mesmas e diminuir a acção social indirecta (direito a residência universitária, aumento do prato social e de todos os serviços sociais).
Jogo político, manobra, tacticismo, irresponsabilidade. Os adversários do Bloco fazem da moção de censura um episódio de trica parlamentar. Estão errados.
A atitude responsável que se exige a uma esquerda socialista é ser a voz consequente da censura popular à política de austeridade e aos seus protagonistas, o PS/PSD.
Como se pode embandeirar em arco com as exportações e dizer que a solução está à vista, quando os números do desemprego nos dizem que as dificuldades se alastram pelo país?
A música dos Deolinda não é só situacionista, não se limita a descrever a vidinha, mas antes apela à mudança deste mundo tão parvo onde para ser escravo é preciso estudar.