Meio milhão de idiotas

porAndré Beja

13 de fevereiro 2011 - 12:47
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Vasco Pulido Valente, no seu estilo truculento de sempre, sintetiza os argumentos que, nos últimos dias, foram aduzidos contra o Bloco: piruetas, oportunismos, voltes de face e (ir)responsabilidade.

São curiosas as reacções e a preocupação que se instalaram no país com a apresentação, pelo Bloco de Esquerda, da única moção de censura que, depois de meses, avanços e recuos, voz grossa e promessas, deixou de ser apenas uma ameaça retórica.

Da direita à esquerda muito se tem falado sobre piruetas, oportunismos, voltes de face e (ir)responsabilidade. Estão inconsoláveis os que se julgavam donos da opção, talvez por terem tirado uma senha na fila de espera ou por se julgarem convencidos de que o Bloco estaria amarrado ao Governo por uma alegre e invisível corrente.

O PS, que desde 1995 só não foi governo por três anos, está preocupado com o regresso da direita ao poder, procurando com isto escamotear o facto de já estar a fazer a política que tanto o parece afligir: privatizações e submissão aos mercados financeiros, desmantelamento do estado social, desregulação do mercado de trabalho...

Na contra capa do Público de 12 de Fevereiro, Vasco Pulido Valente, no seu estilo truculento de sempre, sintetiza os argumentos que, nos últimos dias, foram aduzidos contra o Bloco: piruetas, oportunismos, voltes de face e (ir)responsabilidade.

Vindo de quem vem, não esperava encontrar em tal texto mais do que um chorrilho de disparates, lugares comuns e vacuidades. Sabemos do ódio que VPV nutre por toda a gente que não ele e pelo Bloco de Esquerda em particular.

Mas desta vez o grande génio das aspas (o "génio") conseguiu superar-se. Além de, inadvertidamente, ter confessado o seu Trotskismo latente, apontando-o como "o único verdadeiro intelectual e o único verdadeiro escritor do bolchevismo", VPV estende-se em negras considerações sobre o Bloco e sobre quem confia e se revê nas suas propostas políticas. E a conclusão é brilhante.

A verve do escriba já por várias vezes nos tinha dito que o país é mau, os portugueses e os seus governantes são uns incapazes (exclua-se obviamente VPV deste conglomerado). Mas vai mais longe e revela que lhe "custa compreender como qualquer pessoa com QI acima de 50 pode votar ou apoiar o Bloco de Esquerda". Ou seja, a avaliar pelos resultados das últimas eleições legislativas, há em Portugal mais de meio milhão de idiotas. Palavras para quê?

André Beja
Sobre o/a autor(a)

André Beja

Enfermeiro, doutorando em Saúde Internacional no IHMT/NOVA. Deputado municipal em Sintra, eleito pelo Bloco de Esquerda
Termos relacionados: , Moção de Censura 2011