Será que os benefícios da IA generativa justificam o impacto no planeta? Justifica que os nossos filhos tenham como futuro um planeta inabitável, que tenham uma esperança média de vida inferior à nossa só pela preguiça de escrever um email ou querer ver a vossa foto ao estilo desenho animado Ghibli?
Pese embora tudo o que lhe devemos, também a Escola Pública, a par do Sistema Nacional de Saúde, se encontra sob ameaça existencial. A mais recente manifestação desta ameaça reside no processo de digitalização estouvada do ensino.
A desobediência aos mercados enlouquecidos pelos lucros já não é uma reivindicação distante, é uma necessidade para reduzir emissões de gases com efeito de estufa e impedir a degradação dos nossos ecossistemas, mas também para garantir um fim à exploração e à acumulação de lucro.
Vivemos dias em que muitos se divertem a insistir que o único assunto que importa nas nossas vidas é sofrer a alegada angústia do senhor Luís Montenegro. Abram os olhos. Está na altura de não nos deixarmos influenciar por gente que tem o fascínio da manipulação.
Um recente artigo na publicação digital The Conversation, assinado por Arnaud Miranda, doutorado em Ciência política e especialista em história das ideias políticas, fornece dados reveladores sobre a designada “ideologia trumpista” e sobre Curtis Yarvin, o seu principal ideólogo.
É cada vez mais difícil justificar adiar o investimento em medidas de adaptação às alterações climáticas. É necessária uma discussão mais abrangente sobre a transformação estrutural dos sistemas de produção e distribuição de bens essenciais, sem ceder a teses catastrofistas.
É por isso difícil de compreender o anúncio por parte da Secretária Regional da Educação de que o regulamento de concurso de pessoal docente irá ser revisto para prever, no futuro, o regresso da obrigatoriedade de permanência à “força” numa escola, desta vez por 5 anos.
O mundo está em rápida mudança e os mitos antigos não nos ajudam a entender este mundo novo. A esquerda não deve negar o sentimento de que algo na sociedade não está bem.
As forças democráticas devem encarar formas de se oporem ao avanço da extrema-direita, na política, na sociedade, na cultura e na economia, em conjunto, sem preconceitos, ultrapassando diferenças e sectarismos.
Tudo isto leva a que se levante uma questão - o primeiro-ministro está ao serviço destes casinos ou do país? Uma dúvida assim é absolutamente inaceitável.
Montenegro decidiu-se pelo tudo ou nada. Dada a situação, e excluída a hipótese da decência, que obrigaria o primeiro-ministro a renunciar sem se recandidatar, ele fez a opção menos arriscada.