A presunção de domar a onça com cocktails civilizados é frágil. Corre o risco de colocar Portugal numa situação diplomática impossível à chegada de Bolsonaro.
Macron, o banqueiro-presidente que quer acabar de dar cabo do que resta do modelo social das trente glorieuses, desde o direito do trabalho até às reformas, desde a habitação até à proteção social.
Na Europa parece ter-se esquecido que os muros, tal como qualquer barreira não impedem apenas as entradas. Estes são também os muros que nos têm reféns a todos de uma política que ou se trava ou só pode acabar mal.
Os primeiros dias de governo são pior prenúncio do que todos os de campanha, porque são reais. Foi esse o peso de ver passar o primeiro dia do ano, a partir de agora está mesmo a acontecer.
A ida do presidente Marcelo Rebelo de Sousa à posse de Jair Bolsonaro na Presidência do Brasil, no passado dia 1, envergonha-me e deve envergonhar todos os democratas portugueses.
A caça às bruxas e as saudades do macartismo invadiram o Brasil enquanto Bolsonaro arrasta a vassoura para purgar a casa, limpando de funções quem foi indicado durante a gestão de Lula ou Dilma Rousseff.
Manuel Luís Goucha apresentou Mário Machado como um entrevistado conhecido por ser “autor de algumas afirmações polémicas”. Fraquinho. Devia ter apresentado o seu convidado como “o espancador de pretos que defende o nazismo”.
O género, a cor de pele, a etnia, a orientação sexual, ou a religião, são razões de discriminações que ainda grassam na nossa sociedade e a nível mundial.