Não, este não é um Orçamento de continuidade. Porquê? Porque o Orçamento do Estado para 2020 foi desenhado sem espaço para acolher ou negociar propostas da esquerda e realinhou totalmente pela obsessão do superávite.
O governo deixa à Comissão Europeia uma decisão essencial do Orçamento. E mesmo que passe, esta redução do IVA pode deixar de fora quase metade dos consumidores.
Se alguém não conhecesse este deve e haver, diria que o Orçamento ainda não sabe para onde quer ir. É o resultado da pressa e da atitude maioria-absoluta, quando, afinal, o Governo se apresenta mais frágil e mais dividido desde as eleições.
Novo ano, novo orçamento. Manipulações e joguinhos, tudo técnicas velhas. Mais respeito, menos caridadezinha. Aconselho o filme "Comportem-se como adultos" e depois assinalem as semelhanças, um passatempo.
Se pode haver sempre declarações falsas, o que não pode existir é um sistema que as estimule. A justiça passaria a ser um braço de uma milícia política.
Com o ‘boom’ do turismo veio o ‘boom’ das plataformas digitais, que não cumprem os direitos do trabalho. E com elas os trabalhadores que não pagam impostos sobre o trabalho, nem Segurança Social, que não têm seguro. São algoritmos.