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Lançada campanha internacional para perdão da dívida externa da Tunísia

A secção tunisina do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo lançou esta quarta-feira, em Dacar, uma campanha internacional para o perdão da dívida contraída pelo ex-presidente Ben Ali. O FSM terminou esta sexta-feira com uma assembleia-comício que festejou a revolução egípcia.
O Fórum Social Mundial terminou esta sexta-feira com uma assembleia-comício que festejou a revolução egípcia. Foto deharris/Flickr.

"Lançamos a partir de hoje uma campanha internacional para a anulação da dívida odiosa contraída pelo presidente Zine el Abidine Ben Ali que fugiu como um ladrão vulgar devido à revolução lançada em 17 de Dezembro", disse Fathi Chamki, porta-voz da secção tunisina do CADTM (Comité para a Anulação da dívida do Terceiro Mundo), numa entrevista colectiva.

"A soberania nacional da Tunísia passa pela recusa em reembolsar a dívida", afirmou Chamki, que faz parte da delegação tunisina no 11.º Fórum Social Mundial de Dacar.

Segundo o porta-voz, trata-se de libertar o povo desta dívida para dedicar os fundos a projectos prioritários, como a criação de postos de trabalho para resolver a questão do desemprego que afecta a juventude do país.

Fathi criticou a atitude do novo governador do Banco Central tunisino, Mustafa Kamel Nabli, que assim que foi nomeado anunciou que o país pagará a metade de sua dívida pública a partir de Abril.

O presidente do CADTM, Eric Toussaint, que participou na entrevista colectiva ao lado de Fathi, expressou o seu total apoio à campanha lançada pelos tunisinos, encorajando-os a reflectir sobre o exemplo do Equador, país que se negou a pagar parte de sua dívida externa.

Além da Tunísia, Toussaint convidou os países africanos a adoptar atitudes firmes com relação à dívida, como também fez durante dez anos a Argentina, e denunciou o tratamento discriminatório apresentado por parte dos países ricos, mencionando a anulação de 80% da dívida do Iraque em cumprimento de um pedido dos Estados Unidos.

"Por que não foram anuladas as dívidas contraídas pela África do Sul durante a época do Apartheid na África do Sul e pela República Democrática do Congo sob o regime de Mobutu?", questionou Toussaint.

Terminou o 11.º Fórum Social Mundial que comemorou 10 anos de conjunção de esforços pela transformação social ao nível planetário

Entretanto, esta sexta-feira o Fórum Social Mundial (FSM) assistiu em Dacar à sua última assembleia onde foi aprovada uma Declaração final – aqui disponível em espanhol – onde é afirmada a recusa da proposta global do neo-liberalismo e da dominação do capital, bem como de todos os regimes políticos e sociais baseados na opressão e na descriminação.

Segundo relatou José Falcão, do SOS Racismo, a partir de Dacar, o FSM encerrou com uma assembleia que juntou mais de mil pessoas e que se tornou num comício onde não faltou a emoção provocada pelo anúncio da libertação do Egipto do regime ditatorial de Mubarak. A boa notícia foi anunciada durante a primeira intervenção que coube a Fathi Chamki, a representante da Tunísia.

Durante outras intervenções, nomeadamente a de José Falcão, sublinhou-se a importância da aprovação da Carta Mundial dos Migrantes, uma vitória deste FSM.
 

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