"Lançamos a partir de hoje uma campanha internacional para a anulação da dívida odiosa contraída pelo presidente Zine el Abidine Ben Ali que fugiu como um ladrão vulgar devido à revolução lançada em 17 de Dezembro", disse Fathi Chamki, porta-voz da secção tunisina do CADTM (Comité para a Anulação da dívida do Terceiro Mundo), numa entrevista colectiva.
"A soberania nacional da Tunísia passa pela recusa em reembolsar a dívida", afirmou Chamki, que faz parte da delegação tunisina no 11.º Fórum Social Mundial de Dacar.
Segundo o porta-voz, trata-se de libertar o povo desta dívida para dedicar os fundos a projectos prioritários, como a criação de postos de trabalho para resolver a questão do desemprego que afecta a juventude do país.
Fathi criticou a atitude do novo governador do Banco Central tunisino, Mustafa Kamel Nabli, que assim que foi nomeado anunciou que o país pagará a metade de sua dívida pública a partir de Abril.
O presidente do CADTM, Eric Toussaint, que participou na entrevista colectiva ao lado de Fathi, expressou o seu total apoio à campanha lançada pelos tunisinos, encorajando-os a reflectir sobre o exemplo do Equador, país que se negou a pagar parte de sua dívida externa.
Além da Tunísia, Toussaint convidou os países africanos a adoptar atitudes firmes com relação à dívida, como também fez durante dez anos a Argentina, e denunciou o tratamento discriminatório apresentado por parte dos países ricos, mencionando a anulação de 80% da dívida do Iraque em cumprimento de um pedido dos Estados Unidos.
"Por que não foram anuladas as dívidas contraídas pela África do Sul durante a época do Apartheid na África do Sul e pela República Democrática do Congo sob o regime de Mobutu?", questionou Toussaint.
Terminou o 11.º Fórum Social Mundial que comemorou 10 anos de conjunção de esforços pela transformação social ao nível planetário
Entretanto, esta sexta-feira o Fórum Social Mundial (FSM) assistiu em Dacar à sua última assembleia onde foi aprovada uma Declaração final – aqui disponível em espanhol – onde é afirmada a recusa da proposta global do neo-liberalismo e da dominação do capital, bem como de todos os regimes políticos e sociais baseados na opressão e na descriminação.
Segundo relatou José Falcão, do SOS Racismo, a partir de Dacar, o FSM encerrou com uma assembleia que juntou mais de mil pessoas e que se tornou num comício onde não faltou a emoção provocada pelo anúncio da libertação do Egipto do regime ditatorial de Mubarak. A boa notícia foi anunciada durante a primeira intervenção que coube a Fathi Chamki, a representante da Tunísia.
Durante outras intervenções, nomeadamente a de José Falcão, sublinhou-se a importância da aprovação da Carta Mundial dos Migrantes, uma vitória deste FSM.