Internacional

omc_2Desde Terça-feira que os ministros da Agricultura e do Comércio das quatro grandes potências comerciais (Brasil, Índia, EUA e União Europeia - G4)) se encontravam reunidos em Postdam, na Alemanha, para tentarem chegar a um novo acordo global para o sector agrícola. No entanto, a reunião, que decorreu num ambiente de grande secretismo, terminou mais cedo devido ao abandono da Índia e do Brasil. Estes países culparam a União Europeia e os EUA pelo falhanço das negociações, acusando-os de proteccionismo excessivo. Entretanto, países como a Venezuela, Cuba e Bolívia (entre outros) assinaram uma declaração conjunta recusando qualquer legitimidade à reunião do G-4. Este é o quarto falhanço das negociações iniciadas há 5 anos em Doha e que visavam diminuir as barreiras comerciais em todo o mundo.
 

Jimmy CarterO ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter afirmou ontem que o apoio do governo norte-americano à Fatah e o bloqueio da ajuda financeira a Gaza fazem parte de uma política que visa dividir os palestinianos.

Numa visita a Dublin, Carter disse que Israel e os EUA fizeram "tudo o que podiam para evitar a conciliação entre o Hamas e a Fatah". E considerou que a intenção de dar assistência apenas à Cisjordânia vai punir a população de Gaza.

Aminetu HaidarMarrocos e a Frente Polisario consideraram um sucesso o reinício das negociações sobre o futuro do Sahara Ocidental e decidiram com o representante da ONU que voltarão a encontrar-se na segunda semana de Agosto. No entanto, mantêm-se divergências profundas com a Frente Polisario a exigir a autodeterminação e Marrocos a opor-se, admitindo apenas uma larga autonomia.

Entretanto, chega hoje a Lisboa Aminetu Haidar, combatente pelos direitos humanos do povo saharauí, sobrevivente à prisão e maus tratos pelo regime marroquino, que irá realizar encontros com debate em Coimbra (nesta 4ª feira), Porto (na 5ª feira), e Lisboa (na 6ª feira). Com Aminetu Haidar estarão também os representantes da Frente Polisario para a Europa e para a Península Ibérica e a visita tem a participação e apoio dos eurodeputados Ana Gomes e Miguel Portas.

mustafa-barghoutiO ex-ministro de Informação palestiniano Mustafa Barghouti, da Iniciativa Nacional Palestiniana, defendeu que a única saída para a actual crise é a realização de eleições democráticas o mais cedo possível. Barghouti afirmou que a continuação da crise deitará por terra a esperança da construção de uma Palestina viável e advertiu que a luta inter-palestiniana serve apenas os interesses da ocupação israelita.

farooq_tariq_foto_jim_mcilrDepois de 15 dias de detenção, o secretário-geral do Partido Trabalhista do Paquistão (LPP, sigla em inglês), Farooq Tariq, foi libertado esta terça-feira da prisão de Kot Lakhpat, em Lahore. Dezenas de membros do LPP e activistas da sociedade civil receberam-no calorosamente à porta da cadeia. O LPP agradeceu a todos que, no Paquistão e noutros países, estiveram envolvidos na campanha pela sua libertação.

 

moustafabarghoutiJERUSALÉM - Mustafa Barghouti, o ministro palestiniano de Informação do Governo de Unidade Nacional suspenso sexta-feira à noite pelo presidente Mahmoud Abbas, depois de uma surpreendente debandada das forças da Fatah diante do Hamas em Gaza, disse ter rejeitado o convite, neste fim-de-semana, para ser ministro do recém-formado governo de emergência na Palestina.

Numa entrevista telefónica de Ramallah para o Middle East Times, Barghouti explicou que não concorda com a opinião do Hamas de que o novo governo de emergência é inconstitucional. Disse que Abbas tem todo o direito de dissolver o gabinete e de declarar emergência. Contudo, Barghouti disse ter uma reacção negativa à palavra "emergência" e a decisões de suspender leis.

independentUm grupo de importantes cientistas de prestigiadas instituições dos EUA lançou um aviso dramático: o aquecimento global está a ameaçar a própria civilização planetária. Isto porque o nível do mar, proveniente do degelo das calotes polares, pode subir vários metros até 2100, e não os 40 centímetros previstos pelo Painel sobre Alterações Climáticas da ONU. O grupo de cientistas é liderado por James Hansen, director do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da Nasa, que foi o primeiro cientista a advertir o Congresso dos EUA sobre os perigos do aquecimento global. O aviso foi divulgado pelo diário britânico The Independent.

posse_de_fayyadOs ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia e o governo dos EUA decidiram retomar a ajuda directa ao novo governo palestiniano de Salam Fayyad, nomeado pelo presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, e que não foi reconhecido pelo primeiro-ministro Ismail Haniyeh, demitido por Abbas. Israel também anunciou que vai pagar ao governo de Fayyad impostos devidos aos palestinianos e que Telaviv vinha sequestrando. Ao mesmo tempo, a Faixa de Gaza, que permanece sob controlo do Hamas, continuava com as fronteiras fechadas. O Irão denunciou que o novo governo é contrário à democracia. A Rússia pediu a Fayyad que dialogue com todas as forças palestinianas, incluindo o Hamas.

polisarioRepresentantes do governo de Marrocos e da Frente Polisario reuniram-se ontem em Nova Iorque, pela primeira vez desde o ano 2000. O encontro é promovido pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, aplicando a resolução 1754 do Conselho de Segurança, que chamou as duas partes a iniciarem conversações "de boa fé e sem condições prévias".

Segundo a Sahara Press Service, Mohamed Abdelaziz, presidente da República Árabe Saharui Democrática (RASD), afirmou em Mheiriz, nos territórios libertados do Sahara Ocidental, que a "Frente Polisario participará de boa fé nas negociações com a intenção sincera de conseguir uma solução política que permita ao povo saharuí exercer o seu direito alienável à autodeterminação e à independência".

Alain Juppé não foi eleito - Foto da LusaA direita francesa ganhou as eleições, elegendo 346 deputados, mas com menos 42 deputados que em 2002. Na segunda volta não se verificou a previsão de uma vaga de fundo da direita, que agora teve imensas perdas, não conseguindo eleger diversos deputados, nomeadamente o número dois do governo de Sarkozy, Alain Juppé, que já se demitiu.

O anúncio de medidas anti-sociais por parte do governo, nomeadamente a subida de impostos, teve um efeito desastroso para a direita.

O PS sai reforçado, elegendo 205 deputados, mais 56 que em 2002. O PCF elege 18 deputados, menos três que nas anteriores e os Verdes ganharam um lugar, elegendo quatro deputados.

O sistema eleitoral francês, maioritário a duas voltas, reforçou ainda mais o bi-partidarismo.

fayyadEis como funciona a democracia neste mundo de Alice no País das Maravilhas da política palestiniana, sob a tutela da comunidades internacional e dos EUA. Depois de anos a ser intimados a realizar eleições e a adoptar normas democráticas, há um ano e meio os palestinianos elegeram o Hamas com 44% dos votos, à frente da Fatah com 41%.Foi uma eleição correcta, como observou na altura o ex-presidente americano Jimmy Carter, uma expressão livre, justa e precisa dos desejos de um povo palestiniano cansado da inutilidade, da corrupção e do gangsterismo da Fatah. O problema é que esta decisão não reflectia os desejos de Washington e da comunidade internacional.

Opinião de Peter Beaumont, editor de internacional do The Observer 17/6/2007

gaza_2O novo Governo palestiniano é composto por 14 ministros, nenhum deles do Hamas. O presidente palestiniano Mahmoud Abbas emitiu dois importantes decretos: um que permite ao novo executivo, liderado por Salam Fayyad, governar sem a aprovação do parlamento em que o Hamas tem a maioria; outro que determina a ilegalização do Hamas "por terem levado a cabo uma rebelião armada contra a legitimidade palestiniana e as suas instituições".

A situação em Gaza está agora mais complicada, não devido a novos confrontos, mas porque Israel apertou o embargo a esta região. "Israel reforçará o isolamento da Faixa de Gaza e não vai deixar passar nada, excepto electricidade e água", afirmou à rádio militar Ben Eliezer, membro do gabinete de segurança.

Ismail Haniyeh, o Primeiro-Ministro do Hamas que venceu as últimas eleições, já afirmou que não reconhece o novo executivo nomeado pelo Presidente palestiniano Mahmoud Abbas e liderado por Salam Fayyad, um tecnocrata que no dissolvido Governo de unidade era o titular do Ministério das Finanças, além de ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI). Haniyeh esclareceu que não quer um Estado separado na Faixa de Gaza e o Hamas anunciou que está a fazer tudo para libertar o jornalista da BBC Alan Johnston e que não tolerará mais raptos de jornalistas no futuro.
Entretanto, na Cisjordânia prossegue a ofensiva contra o Hamas, tendo vários membros da Fatah ocupado o parlamento palestiniano, em Ramallah.
Em Gaza, a situação está agora mais calma perante o domínio absoluto do Hamas e a ausência de confrontos, que provocaram nos últimos dias 116 mortos e 550 feridos.

furagreveusp2Estudantes insatisfeitos ocupam universidade exigindo contratação de mais professores, construção de mais salas de aula e reformas na gestão universitária. A reitoria chama a polícia que desaloja violentamente os manifestantes.

Onde poderia se passar essa narrativa? Na Universidade de S. Paulo (USP) destes dias?

Neste caso, tratava-se da Sorbonne, em Paris, ocupada pelos estudantes, em 3 de maio de 1968. Depois de expulsos manu militari pelo ministro Alain Peyrefitte no dia seguinte, já se sabe o resultado: uma explosão de fúria juvenil e estudantil, uma onda de barricadas e o despertar de uma inteira geração para o sonho de transformar a realidade com a indignação justa dos jovens que resolveram combater a injustiça do mundo.

Por Henrique Soares Carneiro, Professor de História da Universidade de S. Paulo

mst_foto_leonardo_melgarejoA avenida principal de Brasília foi tomada ontem pelas bandeiras e camisas vermelhas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), agitadas por militantes e colaboradores, vindos das delegações de 24 estados brasileiros. Junto com eles, mais de 200 delegados de outros países enfatizavam o sentimento de internacionalismo que marcou o 5º Congresso. Partindo do ginásio Nilson Nelson, a meta era chegar à Praça dos Três Poderes. Ali, a manifestação chegou ao auge, com a denúncia da imobilidade do poder público para realizar a reforma agrária.

Pedro Carrano, de Brasília, para o Brasil de Fato