A direita francesa ganhou as eleições, elegendo 346 deputados, mas com menos 42 deputados que em 2002. Na segunda volta não se verificou a previsão de uma vaga de fundo da direita, que agora teve imensas perdas, não conseguindo eleger diversos deputados, nomeadamente o número dois do governo de Sarkozy, Alain Juppé, que já se demitiu.
O anúncio de medidas anti-sociais por parte do governo, nomeadamente a subida de impostos, teve um efeito desastroso para a direita.
O PS sai reforçado, elegendo 205 deputados, mais 56 que em 2002. O PCF elege 18 deputados, menos três que nas anteriores e os Verdes ganharam um lugar, elegendo quatro deputados.
O sistema eleitoral francês, maioritário a duas voltas, reforçou ainda mais o bi-partidarismo.
Jean-Pierre Raffarin, antigo primeiro ministro e opositor de Sarkozy dentro da direita, afirmou: "O IVA social fez-nos perder 60 deputados". Durante a semana que decorreu entre a primeira e a segunda volta das eleições legislativas, o ministro da economia admitiu na televisão a possibilidade de vir a subir o IVA em 5 pontos percentuais.
O PS é o grande beneficiado nesta segunda volta, elegendo mais 56 deputados do que em 2002 e conseguindo captar parte dos eleitores que votaram no centrista François Bayrou. Ségolène Royale anunciou ontem publicamente a sua separação matrimonial e poderá vir a disputar o lugar de líder do PS ao seu antigo marido, François Hollande.
O PCF e os Verdes também recuperaram e colocam a hipótese de vir a constituir um grupo parlamentar conjunto. A legislação francesa exige um mínimo de 20 deputados para ser constituído um grupo parlamentar.
O Modem, partido constituído pelo ex-candidato presidencial François Bayrou, elegeu apenas quatro deputados, apesar de ter obtido 7,7% na primeira volta das legislativas.
O sistema eleitoral francês distorce cada vez mais a representação política no parlamento, favorecendo drasticamente o bi-partidarismo e afectando duramente os partidos mais pequenos.