Ismail Haniyeh, o Primeiro-Ministro do Hamas que venceu as últimas eleições, já afirmou que não reconhece o novo executivo nomeado pelo Presidente palestiniano Mahmoud Abbas e liderado por Salam Fayyad, um tecnocrata que no dissolvido Governo de unidade era o titular do Ministério das Finanças, além de ex-funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI). Haniyeh esclareceu que não quer um Estado separado na Faixa de Gaza e o Hamas anunciou que está a fazer tudo para libertar o jornalista da BBC Alan Johnston e que não tolerará mais raptos de jornalistas no futuro.
Entretanto, na Cisjordânia prossegue a ofensiva contra o Hamas, tendo vários membros da Fatah ocupado o parlamento palestiniano, em Ramallah.
Em Gaza, a situação está agora mais calma perante o domínio absoluto do Hamas e a ausência de confrontos, que provocaram nos últimos dias 116 mortos e 550 feridos.
Numa entrevista ao jornal Le Fígaro, o Primeiro-Ministro palestiniano Ismail Haniyeh (que venceu pelo Hamas as últimas eleições), afirma não reconhecer o novo governo e primeiro-ministro nomeados pelo Presidente Abbas, considerando que o seu governo é o único "legítimo", já que "emana do Parlamento eleito democraticamente" e que, por isso, "vai continuar o seu trabalho". Neste momento, Haniyeh e o Hamas controlam totalmente a Faixa de Gaza, enquanto o novo Primeiro-Ministro, Salam Fayyad, apenas tem autoridade real, em conjunto com Abbas, na Cisjordânia.
Hanieh recusa equiparar o controlo de Gaza a um golpe de estado e rejeita a criação de um Estado na Faixa de Gaza, separado da Cisjordânia, e mostrou-se favorável a uma "amnistia geral" na sequência dos confrontos que fizeram 116 mortos e 550 feridos.
O porta-voz do Hamas, Abu Obeida, afirmou que este movimento está decidido a conseguir a libertação do jornalista da BBC Alan Johnston, preso em Gaza há mais de três meses, e que não tolerará mais raptos de jornalistas. "Estamos determinados a encerrar este caso de uma vez por todas, se Deus quiser tudo ficará bem" disse Abu Obeida, acrescentando que "a partir de agora não permitiremos mais ataques a jornalistas".
Entretanto, a nomeação para primeiro-ministro de Salam Fayyad foi bem acolhida pelo Ocidente, preocupado em travar o avanço dos islamistas nos territórios palestinianos. Numa reunião de emergência, realizada através de videoconferência, os dirigentes do Quarteto para o Médio Oriente (EUA, Rússia, União Europeia e ONU) enviaram uma "clara mensagem de apoio" ao presidente Abbas "especialmente nesta difícil fase da formação de um governo de emergência".
Na Cisjordânia, membros da Fatah realizaram várias operações de busca para deter homens do Hamas e já assaltaram vários edifícios governamentais. No topo da sede do parlamento palestiniano, em Ramallah, militantes do Fatah gritaram "fora Hamas". Bandeiras da Fatah e da Palestina foram colocadas no local, repetindo uma cena que marcou a conquista de Gaza por membros do Hamas.
Em Gaza, a situação parece agora mais calma, depois do Hamas controlar toda a região e ter confiscado todas as armas na posse de elementos da Fatah. Ontem, milhares de palestinianos saíram às ruas em diferentes pontos da Faixa de Gaza, para comemorar a "vitória" do grupo islâmico Hamas. Para Raji Sourani, líder do Centro Palestiniano de Direitos Humanos, num quadro em que "91 por cento dos palestinianos de Gaza estão abaixo da linha de pobreza e o desemprego é de 74%" (uma situação para a qual contribuiu o boicote internacional que se seguiu à vitória do Hamas), o Hamas não enfrentará resistências e pode aparecer como "o que limpa o caos".
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