Cavaco Silva é um ilusionista. A maior das ilusões do nosso tempo é justamente essa que ele apoia: a de que pela austeridade de quem trabalha havemos de reencontrar o acerto da nossa vida colectiva.
Fosse a Economia como o nutricionismo e os economistas austeritários seriam relegados ao esquecimento. Mas, infelizmente, é essa a diferença entre a Economia e as outras áreas do saber...
Há cada vez mais vozes a repetir que os recursos do planeta não chegam para todos, abrindo as portas à pobreza e à fome. Mas será que o problema é a demografia ou a desigualdade no acesso aos recursos?
A política de Jardim é a política do medo, a da chantagem. Ao buraco das contas públicas, podem juntar-se o do défice democrático e o da liberdade de expressão.
Reconhecer, como concluíram o Presidente e o primeiro-ministro, que Portugal pode ser o próximo país a cair é colocar a cabeça no cepo da especulação internacional e tornar o país ainda mais indefeso e dependente dos humores dos famosos mercados.
São poucas famílias e estão por todo o lado na política e nos negócios madeirenses, sempre dependentes dos favores do Estado. Foram os grandes beneficiários do dinheiro da dívida, mas não esperam pagá-la após as eleições de domingo.
O governo dos sábios pode nada saber sobre a vida concreta dos homens e mulheres concretas, mas sabe, do alto da sua ciência certa, que nada mais existe para além dos parâmetros que definiu como sendo o mundo.
Este Governo mente descaradamente. O argumento da crise económica serve-lhes para tudo, apesar da facilitação dos despedimentos e da redução da compensação por despedimento não ter nenhum efeito no défice. O seu objectivo é só um: reduzir o valor do trabalho.
Numa altura em que até Durão Barroso já vai balbuciando “heresias” como Eurobonds, vemos bem desenhar-se no horizonte a necessidade de mais integração política contra a alternativa do falhanço total.