Manuel Martins proclamou, com serenidade firme, que "A Igreja tem de ser a voz dos sem voz". Parecerá agora frase feita. Mas quando foi proferida, nas circunstâncias em que o foi, e por um bispo, a frase soou a convocação à mudança drástica.
Há dois dias realizou-se um referendo acerca da independência do Curdistão iraquiano, conduzida pelo governo regional. Apesar do perigo, a população teve o direito de votar.
É urgente fazer o debate sobre a forma de contrariar a escalada de degradação da qualidade da democracia que vem associada, em muitos casos, a elevados níveis de falta de transparência.
Portugal conhece demasiado bem o resultado das maiorias absolutas do "centrão". Nos governos, como nas autarquias, o poder incondicional serviu as piores políticas, corroeu a qualidade da democracia e minou a credibilidade do sistema político.
Sempre preferiu sair cá para fora, para o adro e para além dele, para “ocupar espaços de onde a Igreja nunca devia ter saído". Era até muito por isto que passaram a chamá-lo “bispo vermelho”.
Que sentido faz uma proposta que tem como solução a criação de um gueto para acantonar a maioria dos utentes dos transportes? Que sentido tem rotular mulheres como tementes do espaço público?
O que não se percebe é que desfecho ambiciona a monarquia e o governo do PP com esta atitude. Demonstração de força? Não. Na verdade, esta atitude desesperada só demonstra a fragilidade do Estado espanhol e da estratégia do PP (com o apoio do Ciudadanos e a conivência do PSOE).