A questão mais do que jurídica é política e ética. O ordenamento jurídico internacional (há interpretações diferentes) e espanhol deviam reconhecer o direito à auto-determinação da Catalunha.
Aquilo que está em causa, neste momento, é a salvaguarda de direitos básicos de expressão e de reunião e a possibilidade democrática de o povo catalão se pronunciar sobre o seu próprio destino.
O populismo não venceu em Loures, mas deixou a ideia que esta estratégia, se feita com pés e cabeça e com outros intervenientes, pode ser uma ameaça real.
Quando as forças policiais reprimem um povo para abafar a democracia, isso é connosco? Quando o direito ao voto é recusado e a violência é o recurso para abafar a vontade de um povo, isso é connosco?
Eis a "after-party" do PSD. Pedro Passos Coelho (PPC) não se recandidata a presidente do PSD no próximo Congresso e abandonará a liderança do partido sem se sujeitar a mais uma humilhação nacional.
A vergonhosa carga policial ordenada por Rajoy, precedida de vários outros atos de repressão contra instituições democráticas da Catalunha, é o maior argumento em favor deste referendo, e do direito do povo catalão à autodeterminação.
Se, no conjunto, a confluência maioritária PS-BE-PCP fica reforçada perante a derrota da direita, também é certo que vai ter muito trabalho, que exige muita negociação e criará tensão. É a vida, como dizia um antigo primeiro-ministro, e ainda bem.
O PS beneficiou mais que os seus parceiros da “geringonça” de estar a governar num contexto nacional de grande apoio popular às mudanças políticas em curso impulsionadas pela esquerda parlamentar.