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Incêndios: “Esforços devem estar concentrados no maior drama que o país vive”

“Neste momento, o mais importante é ajudar as populações que estão a combater os incêndios, as pessoas que ficaram sem casa e estão a enfrentar dramas pessoais gravíssimos”, defendeu Mariana Mortágua. Coordenadora do Bloco, Catarina Martins, desloca-se esta sexta-feira à Madeira.
Foto Gregorio Cunha, EPA/Lusa.

Em declarações aos jornalistas após a reunião da Conferência de Líderes que teve lugar esta quarta-feira à tarde, Mariana Mortágua expressou a preocupação do Bloco face aos incêndios que deflagram em todo o país, em especial no Funchal, bem como a solidariedade dos bloquistas “com as populações que combatem os fogos à porta da sua casa, com as corporações de bombeiros, com todos aqueles que se uniram para combater os fogos”.

A deputada lamentou ainda “os acidentes, feridos e mortes na sequência desses fogos”.

“Foi essa preocupação, essa solidariedade e esse sentido de urgência que nos trouxeram hoje à Assembleia da República com o intuito de propor que a Assembleia marcasse, com caráter de urgência, uma reunião que, por proposta do senhor presidente da Assembleia, e com a qual nós concordámos imediatamente, terá lugar esta quinta-feira pelas 14h30”, avançou a dirigente do Bloco.

“Consideramos que essa reunião deve, em primeiro lugar, fornecer informação, para que os deputados dos grupos parlamentares e os partidos fiquem a par de toda a situação que se está a passar no país, mas pensamos também que essa reunião deve servir para que possamos discutir os meios, as ações, tudo aquilo que pode ser feito no imediato para ajudar as populações”, acrescentou Mariana Mortágua.

A deputada bloquista defendeu que “é preciso pôr em prática planos no terreno” para ajudar as pessoas afetadas pelos fogos, “seja através de um fundo de emergência, como acontece no Funchal, seja através de outros meios que possam ser disponibilizados”.

Mariana Mortágua sublinhou, por outro lado, que, "a médio prazo, deve ser feita uma avaliação muita séria daquilo que se passou no país”: “É certo que as condições climatéricas excecionais contribuíram para a gravidade da situação, mas é preciso também dizer que há um problema estrutural de longo prazo já identificado de falta de prevenção, da mesma forma que há um problema de longo prazo já identificado de falta de meios”, referiu.

Segundo a deputada, “estes dois problemas devem ser a seu tempo estudados e resolvidos com a ajuda do Parlamento”.

“Mas queria reforçar que, neste momento, o mais importante é ajudar as populações que estão a combater os incêndios, as pessoas que ficaram sem casa e estão a enfrentar dramas pessoais gravíssimos”, vincou Mariana Mortágua.

Questionada sobre se a resposta do Governo terá sido suficientemente célere, a dirigente do Bloco referiu que "é muito difícil para qualquer pessoa, qualquer partido, qualquer deputado que está a assistir a um drama desta dimensão, com esta complexidade, através da televisão, poder tirar conclusões” sérias.  

"As avaliações relativamente ao tempo de resposta e aos meios de resposta, e tudo aquilo que deve ser feito para evitar estas situações, devem ser feitas a prazo e depois de podermos olhar com alguma distância. O que é preciso agora é ajudar as populações em risco”, reforçou.

No que respeita à oposição do Bloco face ao pedido do CDS no sentido de marcar uma Comissão Permanente com caráter de urgência para debater a questão das viagens pagas pela Galp a governantes ao Europeu de Futebol, a deputada esclareceu que “esse assunto não fica nem encerrado nem adiado”.

“Esse assunto não foi é antecipado”, salientou, advogando que “se compreende que, no momento de urgência” que o país vive atualmente, “os esforços devem estar concentrados no maior drama que o país vive”.

Para Mariana Mortágua, o caso das viagens "não é equiparável" ao drama dos incêndios que o país atravessa, sendo que “ninguém iria compreender que estivéssemos a dividir as atenções”.

“A questão das viagens é criticável, deve ser escrutinada pelo Parlamento e nós vamos com certeza fazê-lo a seu tempo”, sublinhou. lembrando que há uma reunião agendada da Comissão Permanente para o dia 9 de setembro.

Nessa altura, adiantou a deputada, “vamos discutir a forma de escrutínio desta situação que é altamente criticável, mas neste momento devemos concentrar os esforços no maior drama nacional que é os incêndios”.

Esta sexta-feira, a coordenadora do Bloco, Catarina Martins, desloca-se à Madeira, onde visitará zonas afetadas pelos incêndios e se reunirá com o presidente da Câmara do Funchal, Paulo Cafôfo. 

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