Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral da CGTP antecipa que a manifestação desta sexta-feira, com início às 14h30 no Saldanha e rumo à Assembleia da República, vai juntar “milhares de trabalhares nas ruas” de Lisboa para exigirem a retirada da proposta de alterações à lei laboral.
“Praticamente todos os setores têm emitidos pré-avisos de greve: desde do comércio e serviços, da hotelaria e restauração, a administração pública, os professores, a indústria, seja a indústria têxtil seja a indústria metalúrgica ou a própria construção”, afirma Tiago Oliveira, referindo que o “descontentamento” dos trabalhadores vai “fazer-se ouvir”.
O líder da CGTP não exclui a possibilidade de avançar para uma nova greve geral, caso o Governo insista em colocar a sua proposta sem acordo na concertação social. “Consoante a dimensão do ataque, maior será a dimensão da resposta”, afirma.
Tiago Oliveira não poupa críticas à postura “antidemocrática” e ao “arrepio da Constituição” por parte do Governo, ao “tentar afastar” a CGTP do processo negocial, convocando encontros com associações patronais e UGT ao longo dos últimos meses. "Há propostas que a CGTP colocou em cima da mesa que neste processo nunca foram discutidas", afirma.
Quanto ao papel do Presidente da República, que ainda não respondeu ao pedido de audiência feito há mais de um mês pela CGTP, Tiago Oliveira diz que o posicionamento de António José Seguro, quando afirmou que vetaria uma lei que não tivesse acordo na concertação social, “terá uma continuidade e terá a sua participação até esta legislação laboral ser derrotada e ser retirada”.
No final da reunião da Comissão Permanente da Concertação Social desta quinta-feira, que começou com atraso por causa de mais um encontro sem a CGTP, a ministra do Trabalho disse que era possível chegar a acordo em poucos dias. Palavras contrariadas pelo líder da UGT, Mário Mourão, que afirmou que esse acordo está longe de acontecer.