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Incêndios: Domingo foi até agora o pior dia do ano

Segundo o comandante da Proteção Civil, o passado domingo, com 455 fogos registados foi, até agora, o pior dia do ano em termos de incêndios. Esta segunda-feira, mais de 6.000 bombeiros combateram 310 fogos. Ativados planos de emergência no Funchal, nos distritos do Porto e Viana do Castelo e em vários concelhos.
Bombeiro caminha junto à autoestrada 1 em Estarreja, durante um incêndio que provocou o corte da autoestrada nos dois sentidos - domingo, 7 de agosto de 2016 – Foto de Paulo Cunha
Bombeiro caminha junto à autoestrada 1 em Estarreja, durante um incêndio que provocou o corte da autoestrada nos dois sentidos - domingo, 7 de agosto de 2016 – Foto de Paulo Cunha

O Comandante Operacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), José Manuel Moura, fez um balanço dos incêndios florestais às 20 horas desta segunda-feira, 8 de agosto de 2016.

Segundo a Lusa, José Manuel Moura começou por afirmar: “Ontem, em que se registaram 455 ocorrências de incêndio florestal, (foi) o dia em que foi atingido o maior número desde o início do ano”.

Nesta segunda-feira, às 19:00, a Proteção Civil tinha registado 310 incêndios que tinham sido combatidos por 6.238 operacionais, apoiados por 1.646 meios terrestres e 107 meios aéreos. Às 19.50h, 1.700 bombeiros combatiam os 12 fogos florestais mais significativos do continente, de acordo com um balanço da Lusa, feito a partir da página da ANPC.

O comandante operacional da ANPC apontou que, ao final da tarde desta segunda-feira, os fogos mais preocupantes, por “envolverem mais meios e atingirem áreas florestais de alguma forma significativa”, eram em Águeda (distrito de Aveiro), Gouveia (Guarda), Gondomar (Porto), Vila Nova de Cerveira e Arcos de Valdevez (ambos em Viana do Castelo) e Nelas.

Às 5.30 horas desta terça-feira, 9 de agosto de 2016, 1.900 operacionais combatiam 14 incêndios em Portugal.

Acionados planos de emergência

Entretanto, foram ativados planos distritais de emergência no Porto e em Viana do Castelo.

No Funchal, foi ativado o plano regional de emergência e, durante a noite de segunda para terça-feira, 200 pessoas tiveram de ser deslocadas parao quartel debombeiros, devido aos fogos.

Em Arcos de Valdevez, a Câmara Municipal acionou o plano de emergência para enfrentar a situação “dramática” que se vive no concelho, segundo declarou à Lusa o vereador da Proteção Civil, Olegário Gonçalves.

O vereador disse ainda que o hotel do Mezio, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), "já foi evacuado" e que moradores de 50 habitações do lugar de Vilar de Suente, no Soajo, "foram abrigados dentro de uma capela da aldeia, até o fogo passar, para serem retirados para uma zona segura".

Em Ponte Lima também foi acionado o plano de emergência municipal e, às 22.30h, ia começar um reunião na Comissão Distrital da Proteção Civil (CDPC) de Viana do Castelo para avaliar a aplicação do plano de emergência no concelho de Viana do Castelo. José Maria Costa, da CDPC de Viana do Castelo, apelou, em declarações à Lusa, a um reforço dos meios de combate aos incêndios que afetam o distrito de Viana do Castelo e a que os meios aéreos cheguem logo ao raiar da manhã para "atacar o fogo".

O problema do ordenamento

Em declarações ao Público, o presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Protecção Civil (CEIPC), Duarte Caldeira, disse que o grande problema dos incêndios continua a estar na falta de prevenção.

“Vamos continuar a ter um agosto como é tradicional, e é doloroso dizer esta palavra, mas é o que a evidência histórica nos diz. Ao longo de todo o mês de agosto, e em particular neste último fim-de-semana e hoje”, salientou o especialista.

Duarte Caldeira considera que o problema está na falta de “ordenamento estrutural” do espaço rural, afirmando: “Mantém-se o problema gravíssimo com o qual o país não tem sabido lidar de forma eficiente ao longo dos anos”.

O presidente do CEIPC aponta ao jornal: locais onde a população idosa “já não trabalha a terra”, casas no meio da floresta, “sem critério urbanístico, florestal ou territorial, uma desconexão entre propriedade privada e propriedade do Estado”, sendo que a percentagem estatal é “residual” e a privada está “diluída por cerca de meio milhão de proprietários”.

“É uma floresta disseminada por pequenos proprietários que impede a sua regeneração. É um cocktail de variáveis que redundam nisto, variáveis económicas, políticas, culturais e sociais. O problema só poderá ser verdadeiramente encarado quando houver uma estratégia política integrada que envolva estas quatro dimensões”, realça Duarte Caldeira e conclui: “O problema está antes do combate [aos incêndios]”.

Notícia atualizada em 9 de agosto de 2016, às 10.57h.

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