O Comandante Operacional da Autoridade Nacional da Proteção Civil (ANPC), José Manuel Moura, fez um balanço dos incêndios florestais às 20 horas desta segunda-feira, 8 de agosto de 2016.
Segundo a Lusa, José Manuel Moura começou por afirmar: “Ontem, em que se registaram 455 ocorrências de incêndio florestal, (foi) o dia em que foi atingido o maior número desde o início do ano”.
Nesta segunda-feira, às 19:00, a Proteção Civil tinha registado 310 incêndios que tinham sido combatidos por 6.238 operacionais, apoiados por 1.646 meios terrestres e 107 meios aéreos. Às 19.50h, 1.700 bombeiros combatiam os 12 fogos florestais mais significativos do continente, de acordo com um balanço da Lusa, feito a partir da página da ANPC.
O comandante operacional da ANPC apontou que, ao final da tarde desta segunda-feira, os fogos mais preocupantes, por “envolverem mais meios e atingirem áreas florestais de alguma forma significativa”, eram em Águeda (distrito de Aveiro), Gouveia (Guarda), Gondomar (Porto), Vila Nova de Cerveira e Arcos de Valdevez (ambos em Viana do Castelo) e Nelas.
Às 5.30 horas desta terça-feira, 9 de agosto de 2016, 1.900 operacionais combatiam 14 incêndios em Portugal.
Acionados planos de emergência
Entretanto, foram ativados planos distritais de emergência no Porto e em Viana do Castelo.
No Funchal, foi ativado o plano regional de emergência e, durante a noite de segunda para terça-feira, 200 pessoas tiveram de ser deslocadas parao quartel debombeiros, devido aos fogos.
Em Arcos de Valdevez, a Câmara Municipal acionou o plano de emergência para enfrentar a situação “dramática” que se vive no concelho, segundo declarou à Lusa o vereador da Proteção Civil, Olegário Gonçalves.
O vereador disse ainda que o hotel do Mezio, no Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG), "já foi evacuado" e que moradores de 50 habitações do lugar de Vilar de Suente, no Soajo, "foram abrigados dentro de uma capela da aldeia, até o fogo passar, para serem retirados para uma zona segura".
Em Ponte Lima também foi acionado o plano de emergência municipal e, às 22.30h, ia começar um reunião na Comissão Distrital da Proteção Civil (CDPC) de Viana do Castelo para avaliar a aplicação do plano de emergência no concelho de Viana do Castelo. José Maria Costa, da CDPC de Viana do Castelo, apelou, em declarações à Lusa, a um reforço dos meios de combate aos incêndios que afetam o distrito de Viana do Castelo e a que os meios aéreos cheguem logo ao raiar da manhã para "atacar o fogo".
O problema do ordenamento
Em declarações ao Público, o presidente do Centro de Estudos e Intervenção em Protecção Civil (CEIPC), Duarte Caldeira, disse que o grande problema dos incêndios continua a estar na falta de prevenção.
“Vamos continuar a ter um agosto como é tradicional, e é doloroso dizer esta palavra, mas é o que a evidência histórica nos diz. Ao longo de todo o mês de agosto, e em particular neste último fim-de-semana e hoje”, salientou o especialista.
Duarte Caldeira considera que o problema está na falta de “ordenamento estrutural” do espaço rural, afirmando: “Mantém-se o problema gravíssimo com o qual o país não tem sabido lidar de forma eficiente ao longo dos anos”.
O presidente do CEIPC aponta ao jornal: locais onde a população idosa “já não trabalha a terra”, casas no meio da floresta, “sem critério urbanístico, florestal ou territorial, uma desconexão entre propriedade privada e propriedade do Estado”, sendo que a percentagem estatal é “residual” e a privada está “diluída por cerca de meio milhão de proprietários”.
“É uma floresta disseminada por pequenos proprietários que impede a sua regeneração. É um cocktail de variáveis que redundam nisto, variáveis económicas, políticas, culturais e sociais. O problema só poderá ser verdadeiramente encarado quando houver uma estratégia política integrada que envolva estas quatro dimensões”, realça Duarte Caldeira e conclui: “O problema está antes do combate [aos incêndios]”.
Notícia atualizada em 9 de agosto de 2016, às 10.57h.