Futuro do Eurobic incerto após cancelamento da venda ao Abanca

18 de June 2020 - 15:49

O negócio da venda da participação de Isabel dos Santos no Eurobic foi anunciado em fevereiro, mas acabou por não haver acordo com o Abanca. Esta quinta-feira, o antigo advogado de Isabel dos Santos foi alvo de buscas em casa e no escritório.

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Agência do Eurobic no Saldanha, Lisboa.
Agência do Eurobic no Saldanha, Lisboa. Foto de Joehawkins, Wilimedia Commons.

Isabel dos Santos é a maior acionista do Eurobic, detendo 42,5% da instituição financeira. São ainda acionistas principais do Eurobic o luso-angolano Fernando Teles (37,5%), ex-presidente do EuroBic e sócio da empresária no angolano BIC, e a Finisantoro Holding Limited (17,5%), com sede em Malta.

Atingida pelo escândalo Luanda Leaks, que a levou a ser constituída arguida por suspeita de desvio de fundos quando estava à frente da Sonangol, a filha do ex-presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, anunciou a venda da sua participação no EuroBic. Por sua vez, o banco chegou a avançar que iria “encerrar a relação comercial” com a empresária angolana e com entidades relacionadas com Isabel dos Santos.

Em fevereiro, o Abanca deu conta de que tinha chegado a acordo com o EuroBic para adquirir 95% da instituição financeira. Contudo, nos últimos dias, foi noticiado o fim do negócio.

“Apesar de ter dedicado esforços e recursos significativos à aquisição de 95% do banco português EuroBic, [o Abanca] foi forçado a desistir da operação, uma vez que as condições acordadas para o referido objetivo não foram cumpridas”, escreve o banco galego num comunicado citado pelo Jornal de Negócios.

Segundo o diário de economia e finanças, o preço terá estado na base da discórdia: o Abanca pretendia baixar o preço acordado inicialmente, alegando os efeitos da crise pandémica. “Naturalmente, os possíveis efeitos da covid-19 vão ter de estar incluídos na negociação porque vão existir claramente efeitos adversos”, afirmou Juan Carlos Escotet, o presidente do Conselho de Administração do Abanca ao divulgar os resultados do Abanca para o primeiro trimestre.

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O Abanca garantiu, contudo, que “continuará a analisar potenciais operações de aquisição que fomentem sinergias ao seu projeto em Portugal”, sendo que o Invertia, o jornal de economia do El Español, avança que o banco galego já manifestou o seu interesse em ficar com os negócios em Espanha do Novo Banco, avaliados em 40 milhões de euros.

O Eurobic, citado pelo Expresso, assegurou, entretanto, que a venda da participação de Isabel dos Santos no banco continua em cima da mesa: “A Senhora Engª Isabel dos Santos informou que continua disponível para alienar as suas participações indiretas representativas de 42,5% no capital do EuroBic e os restantes acionistas, titulares de 57,5% do capital do banco, informaram que mantêm em aberto todas as hipóteses de reconfiguração da estrutura acionista do banco”, lê-se no comunicado enviado à imprensa. Os acionistas deixam em aberto a possibilidade de comprar as participações de Isabel dos Santos ou de vender a a totalidade ou parte das suas ações.

Também a Santoro Finance, de Isabel dos Santos, anunciou na quarta-feira, num comunicado citado em outro artigo do semanário Expresso, que continua interessada em vender a sua participação de 42,5% no EuroBic: "A Santoro Finance e a Finisantoro mantêm a sua vontade de, nos termos legais competentes, dar continuidade ao processo de alienação de tal participação social, dando de imediato início à apreciação de outras propostas de interesse que já se manifestaram".

Com este impasse, a eleição da nova administração continua suspensa, pelo que Teixeira dos Santos continuará a liderar o banco.

Megaoperação de buscas contra Isabel dos Santos

Esta quinta-feira, o Expresso noticia que, nas últimas horas, teve lugar “uma megaoperação de buscas em Lisboa, no Porto e no Algarve no âmbito da investigação Luanda Leaks, que tem como principal visada a empresária angolana Isabel dos Santos”.

O semanário escreve que a Procuradoria-Geral da República confirmou "a realização de buscas no âmbito de investigação dirigida pelo DCIAP relativa ao universo das sociedades de Isabel dos Santos" e que esta megaoperação está relacionada com a Matter Business Solutions, companhia offshore no Dubai sob alvo das autoridades angolanas, e a empresa Burgate, com sede em Malta, através da qual Isabel dos Santos detém uma moradia na Quinta do Lago, no Algarve. O Expresso recorda que “a Burgate era detida pela Soho Global Management Solutions, controlada pela Piccadilly Holdings Limited, gerida em Portugal pela Odyssey Investments SGP que tinha como acionistas cinco advogados portugueses e tinha como sede a sociedade de advogados PLMJ”.

As casas e escritórios de Jorge Brito Pereira, antigo advogado da empresária angolana, foram todos alvos de buscas.