Mais de doze mil pessoas manifestaram-se este domingo em Bruxelas sob o mote “Welfare not warfare" [“Bem-estar, não guerra”]. O protesto convocado por plataformas antimilitaristas condenou o plano europeu de gastar 800 mil milhões em despesas militares, denunciando que “esse dinheiro é retirado dos serviços sociais, dos cuidados de saúde, da educação, do emprego, da consolidação da paz, da cooperação internacional, da transição energética sustentável e da justiça climática”.
“Assistimos a esta tendência europeia também na Bélgica, onde cortes sociais massivos são apresentados como necessários, enquanto os gastos militares adicionais são aprovados sem debate”, afirmaram os organizadores citados pela imprensa belga. Neste país, as despesas na área da Defesa aumentaram 59% entre 2024 e 2025, um recorde europeu.
União Europeia
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Miguel Urbán
“Devemos investir antes na saúde, na educação, no trabalho digno, na transição climática e na proteção social, e não na militarização da sociedade”, afirmam os organizadores da manifestação, que incluiu os sindicatos FGTB e CSC e grupos como Agir pour la Paix, Association Belgo-Palestinienne, CNAPD, CNCD-11.11.11, Greenpeace, Oxfam e Rise For Climate.
“O desenvolvimento sustentável é a melhor garantia de uma sociedade segura e estável e, por conseguinte, da prevenção de conflitos. Devemos, portanto, defender o respeito pela Carta das Nações Unidas, a defesa dos direitos humanos e dos direitos laborais, a promoção da justiça social e climática, e investir na solidariedade e na cooperação internacionais”, sublinham.
A manifestação antecede a reunião do Conselho Europeu desta semana que irá tomar posição sobre o próximo orçamento, que inclui uma verba de 130 mil milhões para o rearmamento e indústria espacial no período 2028-3034, ou seja, cinco vezes mais dinheiro do que no anterior ciclo orçamental.