Falsos recibos verdes: trabalhadores vencem batalha contra Casa da Música

23 de August 2020 - 12:08

Numa disputa que teve início em abril, os dez trabalhadores a falsos recibos verdes da Casa da Música conquistaram uma vitória: sete serão integrados no quadro dos trabalhadores, estando em cima da mesa a integração dos restantes três.

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Fotografia no protesto silencioso no dia de reabertura da Casa da Música.Fotografia no protesto silencioso no dia de reabertura da Casa da Música.
Fotografia no protesto silencioso no dia de reabertura da Casa da Música. Fotografia de Raquel Azevedo/Facebook.

A Fundação Casa da Música, no Porto, anunciou este sábado que sete dos 10 prestadores de serviços técnicos que foram identificados pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) irão passar a ter contratos de trabalho.

Numa nota enviada à agência Lusa, a Fundação Casa da Música faz saber que "ofereceu a todos os técnicos identificados pela ACT uma proposta de contrato de trabalho com vista à sua integração no seu quadro de trabalhadores”. Segundo o documento, sete dos 10 prestadores de serviços já acordaram "as condições para alterarem a relação contratual", sendo que passam a regular-se por contratos de trabalho ainda "no presente mês de agosto”. Em cima da mesa está ainda a  integração dos restantes três técnicos. 

Esta notícia surge dois dias depois de se saber que o Ministério Público avançou com seis ações no Tribunal do Trabalho do Porto contra a Casa da Música. Em causa estava o reconhecimento da existência de contratos de trabalho no processo dos falsos recibos verdes.

O processo dos falsos recibos verdes na Casa da Música teve início a 28 de abril, tendo sido despoletado por um abaixo-assinado subscrito por 92 trabalhadores. Dezenas de trabalhadores há longos anos na instituição cultural ficaram sem remuneração na sequência do cancelamento de espetáculos e atividades devido às medidas de contingência relacionadas com a pandemia.

Depois do abaixo assinado, no dia da reabertura da Casa da Música, a 1 de junho, houve uma vigília silenciosa de trabalhadores. A esta ação seguiu-se o despedimento de trabalhadores que tinham protestado, num processo marcado por denúncias de pressões e represálias. Segundo o depoimento de uma das pessoas visadas, cerca de 13 trabalhadores "precários" foram dispensados dos concertos que tinham sido alocados para o mês de junho. 

A isto seguiram-se audições parlamentares sobre a situação dos trabalhadores nesta fundação. Nela, os trabalhadores ouvidos acusaram a administração, assim como a direção artística da instituição, de falta de diálogo, falando ainda em "pressões e represálias".