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A extrema direita na Europa e o combate das “sardinhas” italianas

A extrema direita reforçou-se nas eleições europeias de maio de 2019, assim como nas eleições legislativas e/ou regionais em Espanha, Alemanha, e Polónia. O xenófobo Salvini acabou por ser afastado do governo em Itália, onde em novembro surgiu o movimento das sardinhas, contra a “política de ódio”.
Em Itália, nos últimos meses do ano, despontou o importante movimento das sardinhas contra a “política do ódio”
Em Itália, nos últimos meses do ano, despontou o importante movimento das sardinhas contra a “política do ódio”

Nas eleições europeias, que tiveram lugar em maio de 2019 (no dia 26 na maior parte dos países), a extrema-direita saiu reforçada, nomeadamente em França e na Itália. Em França, o Rassemblement National de Marine Le Pen foi o partido mais votado, embora tenha perdido um deputado em relação às europeias de 2014. Em Itália, a Liga Norte de Matteo Salvini elegeu 28 eurodeputados, enquanto cinco anos antes tinha eleito cinco. Também na Alemanha a AfD (Alternativa para a Alemanha) de extrema direita subiu, obtendo 10,5%.

Também em eleições regionais na Alemanha, realizadas a 1 de setembro, a AfD saiu reforçada, tendo ficado em segundo lugar nas eleições na Saxónia e no Brandeburgo. Na Saxónia, o partido de extrema direita obteve 27,5% dos votos, praticamente o triplo dos 9,7% que teve em 2014. No Brandeburgo, a AfD quase duplicou a anterior votação, passando de 12,2% para 23,5%.

Tanto na Alemanha, como na França ou na Itália, os partidos de extrema direita têm-se destacado pela sua política anti-imigrantes, pela xenofobia, islamofobia e ciganofobia. Matteo Salvini acabou por anunciar uma moção de censura ao governo de que fazia parte, no início de agosto, porém o primeiro-ministro Giuseppe Conte apresentou a demissão e fomentou a concretização de uma nova aliança entre o Movimento 5 Estrelas e o Partido Democrático, que evitou eleições antecipadas e afastou Salvini do governo.

Na Polónia, em eleições realizadas a 13 de outubro, o partido de extrema direita Lei e Justiça (PiS) ganhou de novo, reforçando a sua maioria, passando dos 37,6% que obteve em 2015 para 44%. O PiS tem-se destacado pela defesa do orgulho nacional, a criminalização do aborto, a homofobia e os seus ataques à Justiça.

Em Espanha, o partido de extrema direita Vox emergiu nas eleições andaluzas de dezembro de 2018, obtendo 10,92% e elegendo 12 deputados regionais. Posteriormente, nas eleições legislativas de abril de 2019 o Vox tem 10,3% dos votos e ganha 24 mandatos e nas legislativas de novembro chega aos 15,1%, elege 52 deputados e fica em terceiro lugar no escrutínio, depois do PSOE e do PP. O Vox é um partido “militarista, racista, clerical, pró-imperialista, anti-feminista e neoliberal”, que para subir beneficiou das alianças com PP e Ciudadanos para governar a Andaluzia e da mesma aliança para governar Madrid.

Em toda a Europa, e no mundo, o combate contra a extrema direita xenófoba e ultraliberal prossegue. Em Itália, nos últimos meses do ano, despontou o importante movimento das sardinhas contra a “política do ódio”, que tem vindo a juntar dezenas de milhares de pessoas, contra a xenofobia e promete organizar-se para acabar com a lei anti-imigrantes de Salvini.

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