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Assange preso e sob ameaça de extradição para os EUA

O fundador da WikiLeaks foi expulso da embaixada do Equador em Londres, em 11 de abril de 2019 por ordem do governo de Lenin Moreno, foi entregue à polícia do Reino Unido e está sob ameaça de extradição para os EUA. A luta pela libertação de Assange é uma batalha para 2020.
Liberdade para Assange - Não à extradição para os EUA
Liberdade para Assange - Não à extradição para os EUA

O embaixador do Equador não se limitou a emitir ordem de expulsão mas convidou a polícia a entrar na embaixada a fim de prender Julian Assange que acabou detido pela polícia britânica.

O presidente equatoriano Lenin Moreno disse ter retirado o asilo diplomático a Julian Assange por “violar reiteradamente convenções internacionais e o protocolo de convivência” contudo, são fortes as suspeitas de que a expulsão seja uma retaliação face à divulgação pela WikiLeaks, organização fundada por Julian Assange, de uma notícia publicada pelo New York Times em que o presidente Moreno era acusado de estar a tentar vender o asilado em troca da renegociação da dívida do país, assim como a divulgação de outras notícias a denunciar a corrupção do seu governo.

Noam Chomsky foi uma das primeiras vozes a denunciar a prisão de Julian Assange afirmando que países como os Estados Unidos da América, o Reino Unido, o Equador ou a Suécia uniram esforços para “silenciar um jornalista que estava a produzir materiais que as pessoas no poder” não queriam que fosse do conhecimento do público em geral.

O governo dos EUA persegue judicialmente Julian Assange e o WikiLeaks desde 2010 mas nunca conseguiu acusá-lo criminalmente pela publicação dos documentos principalmente porque não há forma de distinguir o que o WikiLeaks faz daquilo que o New York Times, o Guardian e outros órgãos de comunicação social fazem relativamente ao trabalho com fontes para publicar documentos confidenciais.

Apesar de ter procurado asilo para escapar a uma possível extradição da Suécia para os Estados Unidos da América, é a ameaça de extradição direta do Reino Unido para os EUA, que Julian Assange enfrenta agora na justiça britânica. A acusação dos Estados Unidos da América nada tem a ver com os crimes alegados pela justiça sueca e na verdade constitui uma tentativa de criminalizar várias atividades que fazem parte do conteúdo profissional do jornalismo de investigação e da liberdade de expressão.

A procuradora sueca Eva-Marie Persson anunciou a decisão de pôr termo à investigação que acusava o fundador da Wikileaks de violação mas Julian Assange, que sempre negou as acusações de que era alvo, continua preso em Londres. Depois de sete meses de isolamento detido numa prisão britânica, Julian Assange apresentou-se confuso e com dificuldades de raciocínio numa sessão em tribunal que confirmou o seu julgamento da extradição para os Estados Unidos da América no final de fevereiro de 2020.

Após a sessão em tribunal, cerca de sessenta médicos alertaram para a possibilidade de Julian Assange poder morrer na prisão caso não receba o diagnóstico e tratamento adequados. Julian Assange está privado de liberdade desde 2012, inicialmente na embaixada do Equador em Londres e agora numa prisão de alta segurança na mesma cidade.

Os Estados Unidos da América continuam a tentar extraditar o jornalista para o poderem julgar por espionagem e, se condenado, Julian Assange arrisca uma pena até 175 anos de prisão. A Amnistia Internacional e a Human Rights Watch opõem-se à sua extradição.

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