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Julian Assange expulso da embaixada do Equador e detido

O fundador da Wikileaks foi expulso da embaixada do Equador em Londres e preso pela polícia britânica. A organização defende que o pretexto foi a divulgação de um site que expunha documentos que provariam corrupção do presidente do país. Mas o verdadeiro motivo seria a "venda" da prisão de Assange aos EUA.
Foto wl dreamer/wikicommons

Julian Assange recebeu ordem de expulsão da embaixada do Equador em Londres. Na sequência dessa ordem foi detido pela polícia britânica um vez que era alvo de um mandato de captura.

De acordo com o  comunicado da Polícia Metropolitana, o fundador da Wikileaks “foi posto sob custódia numa esquadra da polícia no centro de Londres onde ficará, até ser apresentando perante o Tribunal de Magistrados de Westminster brevemente”.

Segundo o próprio Wikileaks, Assange não saiu da embaixada pelo seu próprio pé. Foi o embaixador que convidou a polícia londrina a entrar e foi dentro da embaixada que ele foi preso.

Numa declaração em vídeo publicada no Twitter, o presidente equatoriano Lenin Moreno justificou a retirada do asilo diplomático a Assange por “violar reiteradamente convenções internacionais e o protocolo de convivência”.

A reação mais violenta à prisão de Assange veio do antecessor de Lenin Moreno na presidência do Equador. Rafael Correa acusa o seu sucessor de ser “o maior traidor da história do Equador e da América Latina” por ter permitido a prisão de Assange, considerando que se trata de “um crime que a humanidade nunca esquecerá”.

Wikileaks fala em retaliação por denúncias de corrupção

A organização fundada por Assange defende que a expulsão é uma retaliação devida a uma denúncia de corrupção sua.

Nos chamados INA Papers, foram divulgados um conjunto de documento em que se acusa o presidente do Equador e o seu círculo mais fechado de corrupção. Mais tarde chegou a acusação de que o Presidente estaria a tentar vender a entrega de Assange aos Estados Unidos em troca de um alívio na dívida.

Lenin Moreno e a sua família estariam a usar empresas offshore (a principal das quais a INA Investment Corp) para fazer gastos sumptuários (como um apartamento em Espanha e mobília) e para receber pagamentos de origens duvidosas.

Depois de uma primeira denúncia do caso num jornal local, foi lançado um site sobre os INA Papers com os documentos que provariam a utilização de “pelo menos uma dezena de companhias offshore sedeadas em vários paraísos fiscais” para cometer “uma série de crimes incluindo lavagem de dinheiro, evasão fiscal, tráfico de influência e a recolha de subornos em detrimento do Estado equatoriano.”

Apesar das acusações do governo equatoriano de que quem estaria por detrás das denúncias seria a Wikileaks, esta negou a autoria do site.  Mas não deixou de divulgar, através das suas contas nas redes sociais, as notícias das suspeitas de corrupção e a notícia do New York Times em que o presidente Moreno era acusado de estar a tentar vender Assange em troca da renegociação da dívida do país. Na tentativa de proteger o seu fundador, a organização negou também o envolvimento no caso de Julian Assange sublinhando que este já não é editor da Wikileaks desde setembro.

A argumentação da Wikileaks é a de que a verdadeira motivação da expulsão de Assange da embaixada (cuja ameaça pairava já há vários dias) é mesmo esta “venda” de Assange noticiada pelo jornal norte-americano e que o caso INA Papers foi apenas utilizado como um pretexto.

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