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Vistos gold: arguidos chineses eram clientes do ministro

Dois empresários chineses apanhados na rede de corrupção com os vistos gold disseram no interrogatório que conheciam Miguel Macedo há anos, tendo sido clientes do seu escritório de advogados.
Foto Ricardo Graça/Lusa

Segundo o jornal i, que teve acesso ao acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa em resposta ao pedido de revisão das medidas de coação de um dos arguidos, os juízes implicam Miguel Macedo na trama de corrupção dos vistos gold, apontando-o como "o único responsável político" com "direta participação nos factos”. Mas o ministro da Administração Interna, que se demitiu após a operação policial que desmantelou a rede que operava ao mais alto nível dos serviços do Estado, nunca foi constituído arguido e nem sequer foi ouvido no processo, apesar de ter comunicado a sua disponibilidade para depor.

O caso dos vistos gold envolveu várias figuras próximas do ministro, como a sua sócia no escritório de advocacia que era secretária-geral do Ministério do Ambiente, Albertina Gonçalves. Segundo a edição deste sábado do jornal i, num interrogatório em novembro a Zhu Xiaodong e Zhu Baoe, os dois arguidos confessaram ter sido clientes desse escritório há vários anos “em matérias correlacionadas com restaurantes e lojas de artigos chineses”.

Sobre as ligações do ministro à rede dos “vistos gold”, os investigadores da “operação Labirinto” baseiam-se nas escutas telefónicas e nos encontros entre os envolvidos no esquema de angariação de compradores de imóveis em troca do visto. Num desses encontros terá sido discutida a criação de uma sociedade na China e a expansão do negócio para outros países lusófonos. Destas escutas ao telefone de António Figueiredo, então presidente do Instituto de Registos e Notariado, resultou ainda a convicção dos investigadores de que o próprio Miguel Macedo estaria a preparar uma viagem à China.

Segundo o mesmo acórdão, Macedo é suspeito de ter cometido um crime de prevaricação, consumado “na esfera do ministro” para favorecer amigos e ex-colaboradores. Outro dos implicados é Jaime Gomes, sócio gerente da consultora JMF – Projects & Business, fundada em 2009 com Miguel Macedo, Marques Mendes e Ana Luísa Figueiredo, a filha de António Figueiredo também arguida no processo e dona da empresa Golden Vista Europe.

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