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Venezuela sem eletricidade durante 72 horas

O país sofreu um mega-apagão, entre 7 e 10 de março, que tornou a vida das pessoas ainda mais difícil. Maduro diz que foi “sabotagem” dos EUA, oposição atribui a “má gestão”, especialistas falam de “falta de manutenção”, Marea Socialista pede comissão independente.
Venezuela teve um mega-apagão de quase 72 horas, entre 7 e 10 de março
Venezuela teve um mega-apagão de quase 72 horas, entre 7 e 10 de março

Governo suspendeu funcionamento escolar e laboral para esta segunda-feira.

Guaidó, que voltou a apelar à intervenção militar estrangeira contra a Venezuela, anuncia que vai propor à Assembleia Nacional que decrete o estado de emergência, face à crise da falta de eletricidade.

Mega-apagão de quase 72 horas

A luz começou a faltar na passada quinta-feira, 7 de março, às 16h 54 locais e afetou todo o país, incluindo a Grande Caracas. A falta de eletricidade não afetou sempre todo o país, mas durante boa parte das cerca de 72 horas afetou a maior parte do território venezuelano. Provocou também cortes de envergadura semelhante na comunicação móvel e na internet, assim como levou a cortes nos transportes, nomeadamente à suspensão do metro, no abastecimento de água e causou o agravamento da já crónica falta de alimentos essenciais e medicamentos. O mega-apagão afetou também o estado brasileiro de Roraima.

Perante os cortes, as trocas comerciais passaram a ser dominadas pelas vendas em dólares. Um saco de gelo chegou a custar entre dois e cinco dólares.

Ainda há muito para fazer”, diz o ministro da Defesa

Ao final da tarde deste domingo, após o restabelecimento do fornecimento de eletricidade, o ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, declarou que “ainda há muito para fazer”, porque o “ataque foi muito certeiro”.

Padrino López anunciou também que as Forças Armadas (FANB) iniciaram um “sistema de reconhecimento aéreo” de todas as linhas de transmissão de energia elétrica do país e que, desde sábado, ocuparam todas as instalações elétricas para impedir qualquer ataque que “pudesse estar a ser planeado”.

Mega-apagão provocou outros cortes, nomeadamente falta de água
Mega-apagão provocou outros cortes, nomeadamente falta de água

O ministro da Defesa informou também que as FANB estavam a trabalhar para garantir o abastecimento de água e de combustível e disse que falou com o comandante geral da Marinha, Giuseppe Alessandrello, para que os barcos comecem a “dessalinizar a água” e a forneçam ao povo, “onde for necessária”.

Padrino López afirmou ainda que o “ataque ao sistema elétrico nacional” provocou grandes prejuízos à indústria, à economia e à paz, assim como “danos” que estão próximos da “violação massiva dos direitos humanos”.

O ministro da Saúde, Carlos Alvarado, anunciou por sua vez que 90% das centrais elétricas dos hospitais estão a funcionar e desmentiu a ocorrência de mortes nos hospitais. Sábado e domingo tinha circulado na Venezuela a informação da morte de 15 doentes, por falha das hemodiálises, o que foi desmentido por Alvarado. O ministro disse também que o apagão foi provocado pela “sabotagem informática da direita internacional”.

Maduro acusa imperialismo, Guaidó acusa Maduro, Marea pede comissão independente

No sábado passado, Nicolás Maduro afirmou num comício que o apagão foi provocado por um “ataque ao sistema elétrico”, que provocou um corte no processo de transmissão de energia elétrica. Foi um ataque com “tecnologia de alto nível que só os Estados Unidos têm”, disse Maduro e repisou: “A indústria energética da Venezuela foi sabotada pela tecnologia do império e pelo títere autoproclamado”.

O autoproclamado “presidente em exercício” disse em conferência de imprensa neste domingo que pedirá à AN que decrete o estado de emergência, porque 16 estados estão totalmente apagados e outros estão parcialmente.

Guaidó acusou Maduro de ser o responsável pelo apagão e voltou a apelar aos militares a que rompam com o presidente e com o governo. No sábado, Guaidó tinha voltado a apelar à intervenção militar estrangeira.

Diversos especialistas afirmaram, em várias declarações na internet (veja aqui, aqui e aqui, por exemplo), que a crise no sistema elétrico se deve à falta de manutenção, ao obsolescimento do sistema e à corrupção.

A Marea Socialista emitiu um comunicado em que propõe a criação de uma Comissão Investigadora independente para conhecer a origem do apagão e propor um plano de emergência. A organização salienta que “os trabalhadores e alguns especialistas atribuíram as falhas à falta de manutenção, ao desinvestimento e à corrupção” e lembra que “os trabalhadores e dirigentes sindicais do setor denunciaram sistematicamente o colapso do sistema elétrico nacional”, salientando ainda os apagões que muitos estados venezuelanos têm sofrido e a falta de pessoal qualificado devido à precarização.

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