Unicef alerta: Sem combustível, há 120 bebés em incubadoras em risco de vida

22 de outubro 2023 - 19:10

Apenas 37 camiões com ajuda humanitária foram autorizados a entrar em Gaza no fim de semana, mas apenas transportam água, alimentos e material médico. Agências da ONU dizem que o combustível só vai durar três dias. De Paris a Sydney, os apelos ao imediato cessar-fogo juntaram dezenas de milhares de pessoas.

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Recém-nascidos no hospital Al-Shifa, em Gaza.
Recém-nascidos no hospital Al-Shifa, em Gaza. Imagem UNICEF.

Os hospitais da Faixa de Gaza revelaram este domingo que o número de mortos subiu para 4.651 palestinianos, incluindo 1.873 crianças, 1.023 mulheres, 187 idosos, enquanto 14.245 ficaram feridos, desde o início dos bombardeamentos israelitas.

Os dados citados pela agência palestiniana de notícias Wafa revelam que foram recebidas 1.450 denúncias de pessoas desaparecidas ainda sob os escombros, incluindo 800 crianças. Nas últimas 24 horas, os ataques israelitas mataram 266 palestinianos, incluindo 117 crianças, a maioria dos quais no sul de Gaza.

Também este domingo, a agência da ONU para os refugiados palestinianos (UNRWA) confirmou que desde o dia 7 de outubro foram mortos 29 elementos da organização, metade dos quais eram professores desta agência.

Apesar da entrada de mais 17 camiões com ajuda humanitária através da passagem de Rafah, na fronteira do sul de Gaza com o Egito, o diretor da UNRWA, Thomas White, disse à Al-Jazeera que "o principal produto para nós neste momento é o combustível. Os produtos que estão a chegar são importantes - alimentos e medicamentos - mas não incluem o combustível", num momento em que se calcula que a energia elétrica seja suficiente para apenas mais três dias. No sábado, o primeiro comboio de ajuda humanitária foi de 20 camiões com água, alimentos e ajuda médica. Para responder às necessidades básicas da população de Gaza, a ONU estima que fosse necessária a entrada de 100 camiões por dia com ajuda humanitária.

Por seu lado, a UNICEF alertou que nos hospitais de Gaza estão atualmente "120 recém-nascidos em incubadoras, dos quais 70 em ventilação mecânica" e todos estão em risco caso acabe o combustível na sequência do bloqueio e dos bombardeamentos de Israel.

Líder palestiniano reuniu com governantes internacionais no Cairo

Em Ramallah, na Cisjordânia, o primeiro-ministro palestiniano Mohammed Shtayyeh reuniu este domingo com 25 diplomatas acreditados na Palestina e apelou à comunidade internacional para criar uma frente unida para parar a agressão do ocupante israelita e os seus planos para expulsar os habitantes de Gaza do seu território.

"Esta é a sexta guerra na Faixa de Gaza. Sucessivos governos de Israel, em particular o governo de extrema-direita dirigido por Netanyahu, adotaram uma estratégia de destruição sistemática da possibilidade de uma solução de dois estados, seguindo uma política de dividir para reinar através da tentativa de separar Gaza do projeto nacional palestiniano", afirmou o primeiro-ministro citado pela agência Wafa.

No sábado, o presidente Mahmoud Abbas encontrou-se no Cairo com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, à margem da cimeira de paz,  agradecendo o apoio da África do Sul à causa palestiniana nos fóruns internacionais. Abbas reuniu também com o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, agradecendo o contributo do seu governo na ajuda ao desenvolvimento na Palestina e o apoio à solução de dois estados. O chefe de Estado da Autoridade Palestiniana manteve ainda encontros separados com a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni, o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês Yoko Kamikawa e o líder do Conselho Presidencial da Líbia, Mohamed al-Menfi.

Israel continua a evacuar localidades junto à fronteira com o Líbano

Perto da fronteira de Israel com o Líbano, o Governo de Netanyahu deu ordem para evacuar mais 14 comunidades, que se juntam às 28 evacuadas durante a semana passada. A estas dezenas de milhares de pessoas são disponibilizados abrigos temporários financiados pelo Estado.

Num discurso aos soldados colocados no norte, citado pelo Times of Israel, Benjamin Netanyahu ameaçou que se o Hezbollah entrar na guerra "estará a cometer o erro da sua vida. Vamos atingi-los com uma força que eles nem imaginam, e o efeito sobre eles e o estado libanês será devastador".

Parlamento israelita suspende deputado comunista

Entretanto, o Comité de Ética do parlamento israelita anunciou na quinta-feira que decidiu suspender por 45 dias o deputado Ofer Cassif, eleito pela lista do Hadash, que junta comunistas árabes e judeus. "A decisão do Comité de Ética é mais um prego no caixão da liberdade política de expressão", afirmou Cassif, lembrando que condenou o "massacre criminoso do Hamas" em todas as entrevistas que deu.

A causa da sanção, que inclui também a retirada de duas semanas de salário ao parlamentar judeu, foi uma entrevista dada a um jornalista irlandês onde acusou o governo de Netanyahu de aproveitar-se dos ataques do Hamas para implementar uma "solução final" para erradicar os árabes palestinianos da região. Para o comité do Knesset, as declarações de Cassif estabelecem uma relação entre o Holocausto e a política de guerra do atual governo israelita.

Manifestações pelo fim da guerra continuam em todo o mundo

Este domingo muitos milhares de pessoas voltaram a sair às ruas de muitas cidades em todo o mundo a exigir um cessar-fogo e o fim do bloqueio a Gaza. Foi o caso de Paris, onde milhares se concentraram na Praça da República, correspondendo ao apelo de mais de uma centena de organizações, entre centrais sindicais,  movimentos pela paz e partidos políticos.

"Aqui está a França. Enquanto isso a Sra. Braun-Pivet [presidente do Parlamento francês] acampa em Telavive para encorajar o massacre. Não em nome do povo francês!", disse nas redes sociais o líder da França Insubmissa, Jean-Luc Mélenchon, publicando um vídeo da concentração onde se ouve o slogan "Somos todos palestinianos!"

Em Sarajevo, a comunidade palestiniana da Bósnia-Herzegovina convocou o protesto e milhares de pessoas concentraram-se a favor do fim dos bombardeamentos a Gaza. A presidente da Câmara, Benjamina Karic, lembrou que o povo de Sarajevo sofreu "o cerco mais prolongado da história moderna" nos anos 1990 e por isso sabe "o que é não ter água nem comida".

Este fim de semana, milhares de pessoas saíram às ruas também em Sydney Amesterdão, Roterdão e Copenhaga.

E na Galiza houve manifestações em 17 localidades este domingo sob o lema "Paremos o genocídio na Palestina":