Em mais um bombardeamento noturno à cidade de Gaza, a aviação israelita atingiu esta quinta-feira à noite a igreja de São Porfírio de Gaza, construída em 1150 e a mais antiga em funcionamento em Gaza. A bomba atingiu a fachada da igreja e destruiu por completo um edifício anexo. Segundo a agência palestiniana de notícias Wafa, pelo menos duas mulheres morreram em consequência do ataque que deixou também muitos feridos entre os que ali se refugiavam. A Al-Jazeera diz que as autoridades de Gaza elevaram a fasquia de vítimas mortais para 18 pessoas.
O Patriarcado de Jerusalém da Igreja Ortodoxa Grega condenou mais este ataque, afirmando que "visar as igrejas e as suas instituições, bem como os abrigos que fornecem para proteger cidadãos inocentes, especialmente crianças e mulheres que perderam as suas casas devido aos ataques aéreos israelitas em áreas residenciais nos últimos treze dias, constitui um crime de guerra que não pode ser ignorado".
"Apesar de terem sido visadas as instalações e os abrigos do Patriarcado Ortodoxo de Jerusalém e de outras igrejas - incluindo o Hospital da Igreja Episcopal de Jerusalém, outras escolas e instituições sociais - o Patriarcado, juntamente com as outras igrejas, continua empenhado em cumprir o seu dever religioso e moral de prestar assistência, apoio e refúgio aos necessitados, no meio das contínuas exigências israelitas de evacuar estas instituições de civis e das pressões exercidas sobre as igrejas a este respeito", acrescentou o comunicado.
O exército israelita disse à agência France Presse que o ataque atingiu um centro de comando do Hamas e que "em consequência do ataque do IDF, uma parede de uma igreja na zona ficou danificada", acrescentando que o incidente está a ser investigado.
No sul de Gaza, os ataques aéreos noturnos à cidade de Khan Yunis fizeram pelo menos 21 mortes e 79 feridos entre civis, incluindo crianças, segundo a mesma agência noticiosa, acrescentando que oito dos mortos pertenciam à mesma família.
O Ministério da Saúde de Gaza atualizou os números de vítimas mortais para 4.137 pessoas, das quais 1.661 são crianças e o de feridos para mais de treze mil desde o dia 7 de outubro. O porta-voz do Ministério, Ashraf al-Qidra, afirmou esta sexta-feira que sete dos principais hospitais de Gaza e 21 centros de saúde estão agora fora de funcionamento devido aos ataques israelitas, com 46 elementos de equipas médicas mortos e 23 ambulâncias destruídas. "O que se está a passar agora na Faixa de Gaza é um enorme massacre contra o nosso povo palestiniano, contra os muçulmanos e os cristãos... Israel irá sem dúvida cometer mais massacres e o mundo está a assistir a isto", prosseguiu, citado pela Al-Jazeera.
Embaixador de Israel acusa Guterres de "ajudar terroristas"
No dia em que se aguarda que seja finalmente aberta a passagem de Rafah para permitir a entrada de ajuda humanitária o embaixador israelita nas Nações Unidas, Gilad Erdan, afirmou numa concentração de apoio a Israel em Nova Iorque que "parece que a primeira prioridade do secretário-geral da ONU, que visita amanhã Rafah, é ajudar os terroristas". Para este diplomata de Israel, citado pelo diário israelita Haaretz, "até que os nossos reféns sejam devolvidos, Gaza não terá um momento de sossego".
Já esta sexta-feira junto ao posto fronteiriço de Rafah, António Guterres disse aos jornalistas estar a lidar com "restrições" que estarão a ser impostas à entrada da ajuda humanitária. "Estamos a colaborar ativamente com todas as partes para clarificar estas restrições, de modo a que os camiões possam deslocar-se para onde são necessários. Precisamos que estes camiões se desloquem o mais rapidamente possível", disse o secretário-geral da ONU, lembrando que estão em causa "dois milhões de pessoas que estão a sofrer imenso. Não há água, não há comida, não há medicamentos, não há combustível. Gaza precisa de tudo para sobreviver" e estes camiões "são a diferença entre a vida e a morte para tantas pessoas".
Na quinta à noite, num discurso ao país a partir da Casa Branca, o presidente dos EUA comparou o Hamas a Vladimir Putin, afirmando que "representam ameaças diferentes mas têm uma coisa em comum: os dois querem aniquilar por completo a democracia vizinha". Joe Biden anunciou que vai pedir ao Congresso um apoio financeiro "sem precedentes" no valor de 14 mil milhões de dólares.