Genocídio

Tropas israelitas dispararam sobre população faminta

28 de maio 2025 - 14:08

Uma pessoa morreu e 48 ficaram feridas quando os militares dispararam sobre a multidão junto ao ponto distribuição de ajuda sob controlo israelita no sul de Gaza.

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camião com ajuda humanitária
Camião com ajuda humanitária na fronteira com Gaza. Foto de Atef Safadi/EPA

Pelo menos uma pessoa morreu e 48 ficaram feridas quando as tropas israelitas abriram fogo sobre a multidão que tentava chegar à distribuição de alimentos em Rafah por parte da Gaza Humanitarian Foundation (GHF), a organização criada pelos EUA e Israel para substituir as redes de distribuição de ajuda humanitária montadas no terreno pela ONU e dezenas de ONG.

Para o líder da agência da ONU para os Refugiados Palestinianos (UNRWA), Phillipe Lazzarini, o novo modelo de ajuda patrocinado pelos EUA e Israel não passa de uma “manobra de distração das atrocidades” que estão a ocorrer no local. “Nós já dispomos de um sistema de distribuição de ajuda adequado ao objetivo”, prosseguiu o chefe da UNRWA.

“Vimos ontem as imagens chocantes de pessoas famintas a empurrarem-se contra as vedações, desesperadas por comida. Foi uma situação caótica, indigna e insegura”, disse o diretor da UNRWA, Philippe Lazzarini, aos jornalistas no Clube Nacional de Imprensa do Japão, em Tóquio.

A GHF diz ter distribuído oito mil caixas de ajuda que correspondem a 462 mil refeições, enquanto a ONU e os grupos de ajuda internacional continuam a boicotar a fundação, argumentando que a distribuição de ajuda deve ser feita por entidades independentes das partes em conflito. “Esta medida irá privar uma grande parte de Gaza, a população mais vulnerável, de uma assistência desesperadamente necessária”, afirmou Lazzarini, acrescentando que enquanto a rede existente tinha 400 pontos de distribuição, a nova rede patrocinada por Israel conta com apenas três ou quatro, com o objetivo de atrair as pessoas do norte do território para o sul.

“A crise em Gaza não pode ser resolvida através da utilização da ajuda humanitária como arma, para exercer pressão política e militar”, disse Lazzarini aos jornalistas, defendendo que “a ajuda deve ser levada para Gaza sem obstruções”.

Nas últimas 24 horas os bombardeamentos israelitas em Gaza prosseguiram, matando mais 28 pessoas, das quais oito estavam na casa do jornalista Osama al-Arbid, que sobreviveu ao ataque.