Oriol Junqueras, líder da Esquerda Republicana da Catalunha, ex-vice-presidente da Generalitat, atualmente detido junto com os outros organizadores do referendo pela independência da Catalunha a 1 de outubro de 2017, foi eleito eurodeputado nas eleições de maio passado com 1257484 votos. Cabeça de lista da candidatura Ahora Repúblicas, uma coligação da ERC, do Euskal Herria Bildu basco, do Bloco Nacionalista Galego a que se juntaram o Ahora Canarias, o Andecha Astur das Astúrias e o Puyalón de Cucha de Aragão, foi, contudo, impedido de tomar posse para o cargo pelo Estado Espanhol que o manteve preso preventivamente.
De acordo com o acórdão preliminar do Tribunal de Justiça da União Europeia, emitido esta quinta-feira, o dirigente catalão tinha afinal direito a imunidade a partir da sua eleição e, para o manter preso, a Justiça espanhola deveria ter requerido o levantamento desta imunidade. Para além disto, ficou estipulado que Junqueras tem “imunidade em relação a viagens”, ou seja dever-lhe-ia ser permitida a deslocação para as reuniões do Parlamento Europeu.
A decisão não surpreendeu uma vez que as considerações apresentadas novembro pelo advogado-geral da instituição europeia, Maciej Szpunar, iam já no sentido de considerar que o exercício do mandato europeu depende da legitimidade do voto popular e não de quaisquer formalidades que sejam impostas por um Estado.
Para o Tribunal Europeu, Junqueras deveria ter assumido o cargo e não ser impedido de o fazer, tendo o seu mandato sido declarado vago pela Comissão Eleitoral Central espanhola que entregou ao Parlamento Europeu uma lista de eleitos da qual não constava o seu nome.
#TJUE : una persona elegida al Parlamento Europeo adquiere la condición de miembro de dicha institución desde la proclamación oficial de los resultados y goza desde ese momento de las inmunidades derivadas de tal condición + PRESS RELEASE #Junqueras https://t.co/0b08fa4nB4 pic.twitter.com/9si9E3WdYO
— EU Court of Justice (@EUCourtPress) December 19, 2019
A eurodeputada bloquista Marisa Matias foi uma das figuras de esquerda a tomar posição sobre a sentença. Na sua conta do Twitter, reforçou a ideia de que “os deputados europeus eleitos na Catalunha não podem ser impedidos de ocupar o lugar para o qual foram eleitos”.
Finalmente! O TJUE a declarar o que era óbvio desde o início. Os deputados europeus eleitos na Catalunha não podem ser impedidos de ocupar o lugar para o qual foram eleitos. https://t.co/caf0WpjPQZ #Catalunya
— Marisa Matias (@mmatias_) December 19, 2019
Na Catalunha, o movimento independentista saudou a decisão. Nas próprias redes sociais de Junqueras, foi publicada uma mensagem a dizer que “a justiça veio da Europa” e exigindo a “nulidade da sentença” contra os independentistas e “liberdade para todos”.
La justícia ha arribat des d'Europa. S’han vulnerat els nostres drets i els de 2.000.000 de ciutadans que ens van votar. Nul·litat de la sentència i llibertat per tothom! Persistiu com ho hem fet nosaltres! #JunquerasImmunity
— Oriol Junqueras (@junqueras) December 19, 2019
O mesmo exigiu o partido a que pertence. A ERC partilhou o momento em que a notícia chegou ao Parlamento catalão.
Així s'ha conegut al Ple del @parlamentcat la decisió del Tribunal de Justícia de la UE sobre la immunitat del líder d'@Esquerra_ERC, Oriol @junqueras pic.twitter.com/m49HeN3GwL
— Parlament de Catalunya (@parlamentcat) December 19, 2019
E também a Candidatura de Unidade Popular, o outro partido da esquerda independentista catalã, reagiu sublinhando que esta decisão “evidencia um golpe mais” para a justiça espanhola que “não é garante dos direitos”, continuando a exigir a amnistia de todos os condenados nos vários processos contra os independentistas e o direito à autodeterminação.
La resolució de la TJUE sobre Oriol Junqueras evidencia un cop més que la justícia espanyola actua de part, que no és garant dels drets i que té una funció exemplificadora.
Davant d'això, el dret a l'autodeterminació i l'amnistia de les represaliades segueix sent la clau
— CUP Països Catalans (@cupnacional) December 19, 2019
Carles Puigdemont, o ex-presidente da Generalitat tomou o mesmo caminho que as restantes forças independentistas exigindo a liberdade imediata para Junqueras e condenando a tentativa de “alterar o funcionamento da democracia europeia”.
Puigdemont, que escapou às autoridades espanholas, pode vir a ser o mais beneficiado com esta sentença. Não sendo expectável a libertação de Junqueras, a decisão do tribunal europeu abre porém a porta para o ex-presidente da Generalitat assumir o cargo de eurodeputado para o qual também foi eleito. Na mesma situação se encontra o seu ex-conselheiro Toni Comín. Ambos foram eleitos nas listas Junts per Cat.
Em inglês, no seu Twitter, despede-se mesmo com um “até já no Parlamento Europeu”.
Today, the @EUCourtPress made Justice. Democracy, the vote of the people, has won against authoritarian forces. Today the European Union becames stronger. @ourvoteseu. See you (soon) at the @Europarl_EN https://t.co/rx5Q4aYkaG
— Carles Puigdemont (@KRLS) December 19, 2019