Trabalho

Trabalhadores das cantinas públicas fizeram greve contra a degradação da profissão

11 de outubro 2024 - 17:53

Trabalhadores das cantinas públicas manifestaram-se em frente ao Congresso da AHRESP contra a perda de direitos. Bloco avisa que "a precariedade é outro dos grande problemas" destes profissionais.

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Manifestação de trabalhadores de cantina
Manifestação de trabalhadores de cantina. Fotografia do Esquerda.net

Os trabalhadores das cantinas públicas fizeram esta sexta-feira greve contra a perda de direitos sistemática e a degradação da profissão. Convocatória foi feita pela Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal (FESAHT), e culminou com uma manifestação em frente ao Congresso da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal.

Entre as principais reivindicações dos trabalhadores estão o fim da precariedade contratual, a redução do horário de trabalho para as 35 horas semanais, um aumento salarial mínimo de €150 e a criação de um regime de diturnidades.

Mas a greve também serviu para lembrar vários direitos que os trabalhadores foram perdendo ao longo dos últimos anos, como o banco de horas, a retirada de retribuição e a adaptabilidade horária. Por isso, as palavras de ordem da greve foram também contra a degradação da profissão.

A Renascença avança também que a federação denunciou uma suspeita de atentado à greve, que terá acontecido no concelho de Cascais e condenada pela FESAHT. “Há uma mobilização para que haja uma substituição ilegal dos trabalhadores em greve, com os auxiliares de saúde a fornecer refeições”, denuncia Luís Trindade, coordenador da FESAHT.

Em nota de imprensa, a distrital de Aveiro do Bloco de Esquerda afirma que os trabalhadores das cantinas públicas estão “a perder poder de compra há uma década e com um salário cada vez mais encostado ao salário mínimo nacional, muitas disseram que o que recebem ao final do mês não dá sequer para pagar a renda”.

Segundo o partido, “a precariedade é outro dos grande problemas destes trabalhadores, por exemplo, com contratos em escolas de apenas alguns meses e que terminam nas interrupções letivas”. É o caso de várias cozinheiras e auxiliares de refeitório, que esperam há anos por um contrato efetivo, tendo apenas salário durante alguns meses do ano.

Uma delegação bloquista esteve presenta na manifestação e assumiu o compromisso de, fora e dentro do parlamento, “defender o aumento dos salários destes trabalhadores e o fim das condições de precariedade e exploração”. É preciso, segundo o Bloco de Esquerda de Aveiro, que o salário destas e destes trabalhadores sejam aumentados de forma a interromper o ciclo de empobrecimento e de perda de poder de compra dos últimos anos.