Lutas

Trabalhadores da refinaria de Sines acusam Governo de “opacidade” sobre o negócio Galp/Moeve

20 de março 2026 - 17:48

Esta sexta-feira realizou-se um plenário e uma iniciativa pública em Sines, onde trabalhadores e autarcas partilharam as suas preocupações face ao pouco que se sabe das consequências da fusão que vai retirar à Galp o controlo da refinaria.

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Participantes na sessão pública
Participantes na sessão pública realizada em Sines esta sexta-feira. Foto Esquerda.net

A Fiequimetal e a Comissão de Trabalhadores da Petrogal organizaram esta sexta-feira um plenário de trabalhadores na refinaria de Sines e uma sessão pública aberta à comunidade junto à Câmara Municipal.

As iniciativas contaram com representantes das Comisiones Obreras, que têm articulado com os sindicatos da CGTP uma resposta comum às consequências da projetada fusão entre a Galp e a Moeve (antiga Cepsa). Nos termos deste negócio, a Galp ficaria com 50% da nova empresa de retalho, com 3.500 estações de serviço em Portugal e Espanha, mas apenas 20% da nova empresa de refinação que passaria a deter a refinaria de Sines, atualmente nas mãos da Petrogal. Mas pouco se sabe sobre o que acontecerá aos trabalhadores da única refinaria em Portugal e até agora controlada por capital português.

Represetantes da CT da Petrogal, Fiequimetal, SITE-Sul e Comisiones Obreras voltaram a reunir em Sines. Em fevereiro, a Fiequimetal e as federações da indústria das Comisiones Obreras (CCOO da Indústria) reafirmaram o compromisso de agir de forma coordenada “em defesa dos postos de trabalho e dos direitos laborais em todo o espaço ibérico”.

Reunião de sindicalistas na refinaria de Sines
Reunião de sindicalistas da  CT da Petrogal, Fiequimetal, SITE-Sul e Comisiones Obreras na refinaria de Sines. Foto SITE-Sul

Na sessão pública, o dirigente da Fiequimetal Mário Matos deixou a garantia de que “não aceitamos a perda de um único emprego ou que um trabalhador fique com menos direitos por causa deste negócio”.

O sindicalista diz ser “inaceitável a opacidade falta de informação por parte do Governo”, revelando que aos pedidos de reuniões ao Ministério do Ambiente, da Economia e ao próprio primeiro-ministro, “a resposta é sempre a mesma: vão passando de um para o outro como uma bola de pingue-pongue”.

“Quando saíram as primeiras notícias sobre o negócio, as declarações foram contraditórias entre o Ministério do Ambiente e da Economia. O Ministério do Ambiente começou por dizer que era um bom negócio porque passávamos a ter três refinarias. Esqueceram-se que ainda há seis anos encerraram uma”, prosseguiu Mário Matos, alertando para os riscos do desmembramento da Petrogal após a fusão Galp/Moeve.

A falta de informação do Governo foi confirmada também pelo presidente da Câmara Municipal de Sines na sua intervenção. Os sindicalistas espanhóis também afirmaram estar preocupados com o futuro dos trabalhadores da refinaria de Sines e defenderam uma frente comum para combater eventuais ataques ao emprego e aos direitos dos trabalhadores dos dois lados da fronteira. As intervenções dos participantes nesta sessão pública focaram também os perigos para a soberania energética do país, com o risco evidente de a gestão desta empresa cair em mãos de outros Estados. A Moeve é detida pelo fundo soberano do Dubai e pelo fundo estadunidense Carlyle Group.