Em comunicado de imprensa, o SOS Racismo explica que, no domingo de Páscoa, realizou-se uma “homenagem pacífica” a Joaquim "Capone", o adolescente cabo-verdiano que morreu afogado três dias antes na Praia de Matosinhos.
A iniciativa teve lugar em frente ao El Corte Inglês de Vila Nova de Gaia. Era aqui que o grupo que convivia com Joaquim se reunia regularmente.
Conforme descreve o SOS Racismo, a homenagem teve início pelas 20:15, com “dezenas de pessoas (na sua enorme maioria menores de idade) vestidas de branco e negro, convivendo com canções e danças”. No final da cerimónia, que durou entre 30 a 45 minutos, algumas pessoas permaneceram no local.
Os relatos recebidos pela associação antirracista indicam que, pelas 21:35, chegou um carro com três agentes da polícia, “que começaram a gritar com o grupo e, com bastões na mão, ordenaram que se afastassem”.
“Perante a tentativa de conversar com os agentes para explicar o motivo para a reunião de homenagem, um dos agentes começou a bater nas pessoas com o bastão”, descreve o SOS Racismo.
O contingente policial foi reforçado, e “vários rapazes foram imobilizados pela polícia”, sendo que, “pelo menos dois jovens foram levados para a esquadra”.
Destacando que várias pessoas presentes fizeram registos de vídeo, o SOS Racismo enfatiza que, “independentemente do contexto e das circunstâncias, estas agressões dos agentes da polícia são absolutamente injustificáveis e inaceitáveis”.
“Assistimos à narrativa com que alguma comunicação social já nos vem habituando, com
notícias que acusam as vítimas e legitimam os agressores (‘o grupo estava a provocar
desacatos na via pública (...) ‘quando a polícia chegou responderam com agressividade
obrigando a um reforço policial’), numa deturpação que não corresponde à descrição dos
factos dada pelas pessoas presentes e que maioritariamente ocorre quando as vítimas
pertencem a minorias étnicas e/ou racializadas”, escreve a associação.
O SOS Racismo quer ver apuradas as circunstâncias dos eventos e as responsabilidades, pelo que já apresentou queixa à Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR) e irá apresentar ao Ministério Público.