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Serviço público separa Marisa do defensor dos negócios Tiago Mayan

Num tempo de combate à crise pandémica, a diferença entre as duas candidaturas é flagrante: Marisa Matias defende o SNS e apela à mobilização dos setores privado e social “a preços de custo”. Tiago Mayan quer que o Estado pague aos privados a preço de mercado.
Debate entre Marisa Matias e Tiago Mayan
Debate entre Marisa Matias e Tiago Mayan

Desvios éticos

Tiago Mayan é um advogado do Porto, profundo defensor do neoliberalismo e dos negócios. É também membro suplente de uma Assembleia de Freguesia da lista de Rui Moreira no Porto.

Apesar de dizer na sua página na internet que é membro do movimento de Rui Moreira na Assembleia da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, na verdade, como aponta o "fact-check" do Observador, é suplente e não autarca eleito. Começa com uma distorção da verdade, apesar de na mesma página prometer o contrário.

“Não me remeterei a uma posição de impotência perante desvios éticos noutros órgãos de soberania”, promete Tiago Mayan na mesma página. No entanto, sobre o caso Selminho declara: O que acusam Rui Moreira é de ter assinado uma procuração aos mesmos advogados nomeados pelo anterior presidente. Tenho plena confiança nele”. Nem uma palavra para o desvio ético.

SNS ou negócios da saúde?

Tiago Mayan visitou esta semana o chamado hospital de Miranda do Corvo, um edifício fechado, sem médicos nem doentes, com ventiladores “a ganhar pó” e clamou: “O Governo, através do ministério da Saúde, tem de falar com os privados, com o setor social, com a fundação que é dona deste hospital e pôr estes equipamentos ao serviço da população”.

De facto, o chamado Hospital da Compaixão em Miranda do Corvo não é ainda um hospital, porque se trata de um edifício sem profissionais de saúde. O que Tiago Mayan não esclareceu foi o que é que a fundação proprietária do hospital pretende para abrir o hospital e quanto é a fatura que o Estado terá de pagar. Tiago Mayan não está preocupado com a saúde pública e o Serviço Nacional de Saúde (SNS), a sua preocupação é com o mercado e, claro, com os lucros dos investidores.

Ao contrário, a preocupação de Marisa Matias é com o SNS e o seu funcionamento. No Porto, no comício de 17 de janeiro, a candidata defendeu que não é possível “adiar mais a coragem para colocar todos os recursos e capacidade de saúde ao serviço e sob o comando do Serviço Nacional de Saúde”, e apelou ao Governo para que tome essa “decisão urgente” e “proteja o SNS que nos protege a todos”.

Já no debate com Tiago Mayan, Marisa Matias, em oposição ao candidato neoliberal, tinha frisado que "tem que se mobilizar também os privados, os sociais, a preços de custo e não para que façam negócio”.

No programa do partido Iniciativa Liberal, de que Tiago Mayan faz parte, está escrito “As ARS [ARS é o SNS] e a ADSE conjuntamente passarão a financiar o mercado. Deixaremos assim de ter um sistema único universal”. Marisa Matias lembrou esta posição e salientou: “O senhor quer romper com a garantia constitucional de um sistema universal”. Na verdade, Tiago Mayan quer pôr o SNS a financiar o setor privado da saúde. O mesmo defende em relação à Escola Pública.

Defender os direitos laborais contra o apoio à troika

Outra diferença importante entre as duas candidaturas são as questões laborais. No debate com o candidato neoliberal, Marisa Matias afirmou que “as pessoas em Portugal não se esquecem do que foram as políticas liberais no emprego, durante o governo de Passos Coelho com a troika” e lembrou que essas políticas colocaram no desemprego, meio milhão de pessoas, muitas das quais tiveram de emigrar.

“Espanta-me que venha colocar o ónus de todas as situações que estamos a viver, de salários baixos, de desemprego, do que seja, nas políticas do curto período que recentemente tivemos na história, em que conseguimos, apesar de tudo, melhorar as condições de vida das pessoas”, acusou Marisa, depois de Tiago Mayan Gonçalves, apoiante do governo de Passos Coelho e da troika, quando foram feitos cortes em salários e pensões, afirmar que nunca houve políticas liberais aplicadas em Portugal. Marisa classificou ainda essa leitura como “uma miragem sobre o que aconteceu no país” com a destruição dos direitos laborais no tempo da troika que ainda está por reverter e concluiu: “Esse é que é o problema”.

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