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Saúde e Trabalho irão definir qualquer acordo à esquerda na próxima legislatura

Para Catarina Martins, neste momento “toda a gente no país sabe que não teremos maioria absoluta, e o que conta para criar soluções é a Saúde e o Trabalho”. António Costa evitou responder a qualquer proposta e dramatizou a relação com a esquerda.

No debate entre Catarina Martins e António Costa, esta terça-feira na RTP 1, o líder do PS procurou dramatizar o chumbo do Orçamento do Estado mas evitou responder às soluções propostas pela coordenadora do Bloco de Esquerda, nomeadamente para a Saúde e o Trabalho. 

Catarina Martins abriu o debate relembrando o processo que levou aos acordos escritos à esquerda em 2015. “Tivemos quatro anos de estabilidade, reconquista de direitos e crescimento económico”, relembra. “Orgulho-me desse momento e voltaria a fazê-lo”, e foi por isso que, em 2019, “não hesitámos e voltámos a propor acordo” que o Partido Socialista recusou, prosseguiu Catarina.

Para a coordenadora do Bloco de Esquerda, neste momento “toda a gente no país sabe que não teremos maioria absoluta, e o que conta para criar soluções é a Saúde e o Trabalho”, sintetizou.

“Se nada for feito, o Serviço Nacional de Saúde estará moribundo dentro de quatro anos” porque neste momento “temos menos médicos do que no início da pandemia. Há dois mil enfermeiros que já pediram para emigrar. 22 milhões de horas extraordinárias a que os profissionais têm feito para aguentar esta pandemia”, relembrou.

“Quando há toda esta dificuldade,  o que o Governo vem propor não é fortalecer o SNS, não é colocar o utente no centro do SNS, mas sim exigir, a quem já está exausto, que faça mais 500 horas extraordinárias por ano”, criticou.

“Ninguém pode exigir ao Bloco de Esquerda que aprove orçamentos que, a cada dia que passa, enterram mais o SNS”, continuou, relembrando que as promessas eleitorais que o PS agora apresenta para contratação de mais 28 mil médicos “já tinham sido acordadas antes da pandemia e o Governo não cumpriu”.

Em resposta, o secretário-geral do Partido Socialista teorizou ao longo de todo o debate sobre o que considera serem falhas morais da direção do Bloco de Esquerda por não ter aprovado os orçamentos que o PS recusou negociar, e atacou com uma mentira: “A dedicação exclusiva que o Bloco de Esquerda quer significa proibir os médicos de trabalhar fora do SNS”. Catarina corrigiu o primeiro-ministro,  relembrando que a proposta do Bloco de Esquerda é facultativa para os médicos e obriga apenas os chefes de equipas a trabalharem em exclusividade, com a compensação salarial correspondente, porque “o que é insustentável é ter chefes de equipas que trabalham a maior parte da semana no hospital privado”.

António Costa atacou depois as propostas do Bloco de Esquerda para eliminar os fatores de dupla penalização para reformas antecipadas, que provocaria “um rombo brutal na Segurança Social” mas, novamente, Catarina Martins corrigiu o líder do PS: a medida “teria custado apenas 16 milhões de euros” e não os 480 milhões que António Costa disse no debate.

 

O primeiro-ministro acusou ainda o Bloco de Esquerda de impedir que as propostas do PS para a agenda do trabalho digno fossem debatidas na Assembleia da República, as mesmas propostas que, relembrou Catarina, mantinham a possibilidade de renovação do período experimental de seis meses “enquanto em Espanha é de apenas dois”.

A coordenadora do Bloco de Esquerda defendeu que é necessário subir os salários médios e, para isso, “é necessário expurgar a legislação da troika do Código do Trabalho”. Mas António Costa voltou a recusar a hipótese: “expurgámos o que entendemos que devíamos expurgar”, contrariando a sua própria posição de 2012.

“O Bloco de Esquerda não mudou de opinião”, respondeu Catarina Martins. “Propusemos um acordo para libertar Portugal das normas que impedem que salários subam”.

 

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