Presidenciais

“Santana Lopes apoia Seguro? Ainda bem que há esquerda nesta campanha”

09 de janeiro 2026 - 22:05

Questionada sobre o encontro marcado por elogios mútuos entre Santana Lopes e António José Seguro, Catarina Martins registou “a diferença entre o campo político que eu represento” e o do ex-primeiro-ministro demitido por Jorge Sampaio.

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Catarina Martins
Catarina Martins em Almada.

Na noite de sexta-feira, Catarina Martins assistiu ao concerto de Ano Novo da Academia Almadense. À entrada, disse aos jornalistas que quis destacar o exemplo de uma coletividade “que todos os dias mexe com tanta gente, pessoas que têm aqui o usufruto da Cultura e do Desporto”.

“Numa altura em que há quem nos tente dividir”, esta força do associativismo, da Cultura, do Desporto, a juntar pessoas numa comunidade, é fundamental”, afirmou a candidata.

Questionada pelos jornalistas sobre temas da atualidade, como o encontro entre Santana Lopes e António José Seguro - em que o ex-líder do PSD disse que “a Presidência ficará bem entregue” ao ex-líder do PS -, Catarina começou por registar “a diferença entre o campo político que eu represento e o que representa Santana Lopes ou pessoas como Santana Lopes que dizem que se sentem tão confortáveis com António José Seguro na Presidência”.

“Ainda bem que há esquerda nesta campanha e que está cá quem possa falar no concreto sobre a saúde, sobre o trabalho e as crises do país. É natural que apoios como o de Santana Lopes na minha candidatura não existam, estou muito confortável sobre isso”, afirmou a candidata.

Ainda sobre o candidato apoiado pelo PS, os jornalistas quiseram saber o que Catarina pensava sobre as declarações de Seguro sobre a lei que instituiu as quotas, quando disse que não se deviam “eternizar”. Ressalvando que não tinha ouvido as palavras do candidato, Catarina lembrou que “nas últimas eleições a presença das mulheres tem diminuído” e que por isso “é muito preocupante que alguém ache que está tudo feito quando as mulheres em Portugal continuam a ganhar menos salário, quando estudam mais a diferença salarial ainda é maior, continuam a ser mais vítimas de violência e continuam menos representadas ano poder político”.

Morte em Minneapolis mostra que “o caminho da política do ódio” acaba por vitimar toda a gente

Ao pedido de reação aos acontecimentos nos EUA, onde à mesma hora em Minneapolis se realizava uma grande manifestação contra o assassinato de uma mulher por agentes do ICE - a força policial que se tem destacado por cumprir as ordens de Trump para perseguir imigrantes - Catarina respondeu que “o que está a acontecer nos EUA deve-nos alertar para o que é o caminho da política da xenofobia: começam a perseguir imigrantes e acabam a matar a tiro uma mulher que está na sua vida, no seu país, e a desculparem-se dessa enorme violência e crueldade”.

“O caminho da política do ódio é sempre um caminho em que todos somos vítimas, não se fica pelos imigrantes, atinge toda a gente”, avisou Catarina.