Num comício que encheu o ginásio do Clube União Banheirense "O Chinquilho", na Baixa da Banheira, Catarina Martins apontou baterias ao “cinismo” dos candidatos da direita na reação ao ataque dos Estados Unidos á Venezuela do passado sábado.
“À medida que os dias passam, vão-se tornando mais claras as intenções de Donald Trump para a Venezuela e para o mundo, graças ao que o próprio vai dizendo com total clareza”, afirmou a candidata presidencial, recorrendo às declarações feitas entretanto por Trump, que prevê ficar vários anos a controlar o regime venezuelano canalizando para os EUA as receitas do petróleo daquele país, sem uma palavra sobre a democracia ou o combate ao narcotráfico.
“E, como já percebemos, Donald Trump não está satisfeito com a Venezuela. Quer mais e todos os dias ameaça o resto do mundo”, acrescentou Catarina Martins, criticando em seguida a posição dos adversários à direita nesta eleição presidencial, a começar por Ventura, que diz defender Portugal mas defende apenas “a voz do dono” Donald Trump.
“Mas se já esperávamos que a extrema-direita fosse o que é, também é importante ver o cinismo dos candidatos à direita”, continuou, referindo-se a Marques Mendes e Cotrim de Figueiredo, que depressa evoluíram da crítica envergonhada à violação do direito internacional “para passarem diretamente à propaganda do golpe, numa espécie de ‘os meios justificam os fins’”.
“A nossa direita, a direita portuguesa, fica confortável a encontrar justificações para o que Donald Trump fez, que nem Donald Trump quer encontrar. Porque Donald Trump não disfarçou”, prosseguiu Catarina, apelando ao “ativismo cívico que se tem de levantar em Portugal e em todos os países pela paz e contra a violação do direito internacional”.
“Nestas eleições, a escolha que fizermos e a força que tiver cada candidatura ditará também a forma como nós queremos responder às emergências que temos”, concluiu Catarina.