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Sánchez pede solidariedade europeia, países do Norte prolongam impasse

O primeiro-ministro espanhol defende um novo mecanismo de mutualização da dívida para a Europa responder à maior crise desde a II Guerra Mundial. Os dois principais ministros do governo alemão já responderam, dizendo que bastam os empréstimos do Mecanismo de Estabilidade Europeia.
Pedro Sánchez numa visita na sexta-feira a uma fábrica que produz ventiladores e outro material sanitário. Foto La Moncloa/Flickr

Num artigo de opinião publicado no Público, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, diz que a Europa enfrenta a maior crise desde a II Guerra Mundial. “As circunstâncias são excepcionais e exigem posturas contundentes: ou estamos à altura das circunstâncias ou fracassaremos como União.”

Sánchez deixa claro que os países mais afetados pelo surto de covid-19 precisam de “solidariedade indiscutível”, já que esse “é um princípio fundamental dos tratados da União”. O primeiro-ministro espanhol defende, no imediato, “medidas que sustentem a dívida pública que muitos Estados estão a assumir”. A longo prazo, será também necessário “reconstruir as economias do continente mobilizando grande quantidade de recursos através de um plano que chamámos Plano Marshall”.

Embora reconheça alguns passos positivos na resposta da UE, como o programa de compra de títulos do BCE ou a proposta da Comissão para apoiar os subsídios de desemprego de cada país (o SURE), Sánchez considera-os insuficientes, à semelhança do recurso ao Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE). Na sua opinião, é necessário um “novo mecanismo de mutualização da dívida”, bem como uma atuação dos países “como um bloco na aquisição de produtos sanitários de primeira necessidade”, na coordenação de “estratégias de cibersegurança” e na preparação de um “plano de choque” para a recuperação económica no pós-crise.

Sánchez conclui que “a Europa está a arriscar tudo” e que o momento para uma resposta ambiciosa é “agora ou nunca”. O motivo é claro: “Sem solidariedade não haverá coesão, sem coesão haverá desapego e então a credibilidade do projecto europeu ficará gravemente prejudicada.”

O apelo de Sánchez é dirigido aos países do Norte da Europa, que têm bloqueado soluções como a da emissão de dívida conjunta (coronabonds). Mas o acordo continua a ser difícil de alcançar. Também no Público, dois dos principais ministros alemães – Olaf Scholz, das Finanças, e Heiko Maas, dos Negócios Estrangeiros – sublinharam que o MEE é o mecanismo ideal para lidar com esta crise. Já sobre as coronabonds, optaram por não se pronunciar, o que indica que não se trata de uma opção que agrade à Alemanha.

Scholz e Maas defendem que os “fundos devem poder ser utilizados para financiar todas as medidas necessárias no combate ao coronavírus”, sendo que os apoios “não podem ser sujeitos a condicionalidades desnecessárias”. Mas a verdade é que é isso que está em cima da mesa com o recurso aos empréstimos do MEE, que exigem que os países se comprometam a uma estratégia de consolidação orçamental (leia-se, austeridade) após a crise.

Também o comissário europeu do Orçamento, o austríaco Johannes Hahn, rejeitou a emissão de coronabonds, dizendo que se trata de uma “ideia tóxica” para alguns países e, como tal, deve ser abandonada. Hahn defende que se devem procurar outros mecanismos para responder à crise, opinião partilhada pelo vice-presidente da Comissão, Valdis Dombrovskis, que já confirmara a sua preferência pelo recurso ao MEE. Sem consensos à vista, o impasse sobre o caminho a seguir mantém-se na UE.

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